Febre maculosa mata 4 da mesma família em Contagem e deixa Pampulha em alerta

POR José Aparecido Ribeiro

Surto de febre maculosa em Contagem assusta população e faz vítimas, deixando moradores da Pampulha em BH também preocupados. De quarta feira dia 29 de maio, ate hoje (03 de junho), morreram quatro pessoas da mesma família e mais seis estão internados. A Secretaria de Saúde de Belo Horizonte já emitiu comunicado para todos os hospitais da capital sobre o surto da doença que é transmitida por carrapatos, alertando as autoridade de saúde da importância do diagnóstico rápido através da realização de exames capazes de detectar a doença antes de agravamento que pode levar a óbito.

Porém este alerta não tem sido suficiente para acelerar os atendimentos na rede municipal das duas cidades, e há relatos de espera de mais de 4 horas. José Muniz Santana apresentou febre, dor de cabeça, dor no corpo e foi levando por familiares ao hospital da Unimed de Contagem na segunda feira (27), e tratado como dengue. Como não houve melhora, ele foi transferido para o hospital Santa Rita na terça feira (28). Mas ao chegar no hospital precisou ser entubado e não resistiu, vindo a falecer na madrugada de quarta feira (29).

Caio Henrique Santana Santos, membro da mesma família, sentiu mal na terça feira (28) e procurou a UPA Ressaca, (Unidade de Pronto Atendimento) vindo a desistir devido à demora no atendimento. O paciente faria o exame às 7h30 da quarta feira(29), mas teve diarreia, vômito e gengivas sangrando. A família decidiu levá-lo para o Hospital de Pronto Socorro Odilon Behrens. Contudo  já era tarde, ele foi atendido pela equipe de plantonistas e não resistiu, veio a falecer na tarde de quarta feira (29).

Vânia de Fátima Santana da Mata que também pertencia à família, sentiu-se mal durante o enterro e foi levada ao hospital da Unimed, lá ao ser entubada sofreu parada cardíaca e faleceu na manhã de domingo (02). Ela também estava contaminada pela febre maculosa e não teve tempo para tratar antes do agravamento da doença. Octacílio Muniz Santana, o quarto membro da mesma família vítima da febre maculosa, foi atendido no Hospital Odilon Behrens e tratado a princípio com diagnóstico de dengue, durante os dois primeiros dias, não resistiu aos efeitos da febre vindo a falecer na noite de domingo (02). Octácilio foi enterrado na tarde desta segunda feira (03) em Contagem. Em comum os parentes tinham o mesmo bairro.

Outro parente também vitima da febre maculosa foi Gelson Antonio Santana. Ele sentiu enjoo, buscou atendimento no Odilon Behrens no sábado (01), informou as ocorrências de óbitos na família, mas ainda assim aguardou atendimento por mais de 4 horas.  Após ser atendido, sob fortes protestos de parentes conseguiu realizar exames, que após analisados fizeram o médico decidir na alta do paciente. O filho explicou a situação da família e o médico resolveu transferi-lo para o Hospital Eduardo de Menezes, lá fez exames e segue estável.

Os relatos dramáticos foram feitos por um dos membros da família, Rodrigo Campera (28 anos) que tenta chamar atenção das autoridades sobre à gravidade do problema. “Fui relatando o que conversei com as pessoas e espero que as autoridades compreendam o drama da família de minha esposa que em menos de cinco dias viu quatro parentes virem a óbito vitimas da mesma doença, a febre maculosa que é uma enfermidade que não permite perda de tempo para o inicio do tratamento”, reclama o jovem que atribui a demora como causa das mortes.

Rodrigo lembra ainda que Warley Santana que é também  membro da família está infectado, mas a bactéria foi controlada: “O paciente está internado no Hospital Eduardo de Menezes, depois de ter passado pelo Odilon Behrens”. Chama atenção para o fato de que três parentes seguem internados. A Secretaria de Saúde de Contagem iniciou na manha desta segunda feira (03) uma desinfecção dos animais portadores do carrapato que é o vetor da doença.

Todas as vítimas são moradores do bairro Nacional em Contagem, que divide território com Belo Horizonte na região da Pampulha. O alerta feito serve para os profissionais de saúde de BH e Contagem ficarem ativos  preparando e ficando atentos aos sintomas, já que a doença, se não for diagnosticada com tratadanto há tempo e a hora. O deicuido pode levar a óbito em apenas dois dias. O assunto parece muito mais grave do que aparenta. 

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3 comentários em “Febre maculosa mata 4 da mesma família em Contagem e deixa Pampulha em alerta

  1. A falta de Vigilância Sanitária e Epidemiológica nas cidades citadas, resulta nesse escândalo!
    É sabido há mais de 10 anos, REPITO – HÁ MAIS DE 10 ANOS, que a região da Pampulha (incluindo os municípios de Contagem e Ribeirão das Neves) é área máxima de risco com relação à esse vetor Amblyomma cajennensis (o carrapato-estrela) e contaminação por essa febre, chamada Rickettisia rickettisie ou Rickettisiose.
    Carrapatos migram do cerrado mais denso e rural para região urbana.
    É sabido que Contagem e Ribeirão das Neves tocam essa região desse cerado mais denso, mais rural.
    Com o crescimento das áreas devastadas por construções ele vão migrando seja por via animal ou até por eles mesmos, os carrapatos…
    Quatro pessoas mortas em menos de 10 dias e com risco de mais gente ser vitimada por irresponsabilidade de instituições de saúde que agora tratam todos que chegam aos atendimentos de emergência como dengue.
    Um pastelão sem igual!
    Desculpem a caixa alta, mas PREVENÇÃO e RESPONSABILIDADE PASSOU BEM LONGE!
    Como sempre, nossas “autoridades e instituições” preferem esperar pelo “ladrão adentrar pra colocar fechadura na porta”…
    Preferem o “fogo aceso e ficar tentando apagar incêndio descontrolado”…

    • E as “Capivaras” que espalham os carrapatos estrela por todos os lugares onde elas andam? Até quando vamos ter que conviver com elas na Pampulha, causando todos os males e destruições que elas provocam? Os defensores delas na Pampulha, nestas horas somem! Mas nós sabemos quem são! Apareçam! Mostrem suas caras! Hipócritas!

  2. Situação de extrema seriedade..Espero que nem mais uma vida seja ceifada por negligência…muito triste…
    Muito se fala sobre a precariedade no atendimento da rede pública, mas na rede particular a situação também está “periquitante”.
    Estou assustada com a falta de estrutura dos hospitais da capital (neste caso, rede privada), em atender os pacientes que procuram o Pronto Atendimento dos mesmos. É claro que entendemos que há uma epidemia de dengue, há mais ou menos um mês eu li que em comparação ao mesmo período do ano de 2018, o número de casos confirmados de dengue aumentou 700%. Mesmo assim é bastante desesperador e frustrante aguardar 3, 4, 5 horas para ter um atendimento médico, que normalmente dura em média 5 minutos. A febre maculosa é mais um motivo de desespero. A dengue hemorrágica também é fatal, e pode levar uma pessoa a morte em menos de 24h.
    Infelizmente, passei por uma experiência pela qual eu posso dizer, ter sido a pior da minha vida….
    Meu filho de 15a na noite de sexta para sábado (retrasado) teve um mal estar súbito, vômitos, fraqueza, e apesar da idade, e de gozar de plena saúde, abateu-se rapidamente. Eu já sabia da situação caótica dos PA’s, mas meu instinto materno fez com que eu o levasse imediatamente para uma das unidades de Hospitail da Unimed. No caminho, ele teve uma pequena hemorragia nasal que foi comunicada à um atendente, assim que cheguei ao hospital com meu filho praticamente sendo carregado… Fui informada de que não havia previsão de tempo para o atendimento, mas que pela experiência a espera seria de 4 horas ou mais. Meu filho não era o único paciente debilitado. Ninguém vai para um PA, ficar horas a fio no aguardo por um atendimento, se não estiver realmente necessitando. Mas uma triagem tem que ser feita, tem casos que a prioridade se faz necessária. Diante da debilidade que meu filho apresentava, e do meu relato sobre a ocorrência da hemorragia nasal, eu não tinha dúvidas de que ele não poderia e não conseguiria aguardar o tempo estimado. Meu filho precisou desmaiar para que fosse atendido com 20m de esoera. Antes do desmaio eu já percebia e recebia a solidariedade de outros pacientes, que viam a gravidade do quadro, e que com toda certeza não iam se opor caso ele fosse atendido de imediato, mesmo tendo chegado posteriormente. O fato é que eu temho que considerar o desmaio “providencial”, por conta dele meu filho teve atendimento rápido e adequado. Ele estava com um quadro profundo de desidratação, eu vi o desespero dos profissionais que chegaram a cogitar uma transfusão de sangue (plaquetas), o que graças a Deus não foi necessário. Mas ouvi dos médicos que eu poderia ter perdido meu filho, caso eu tivesse demorado para buscar o atendimento.
    Ele já está ótimo, totalmente recuperado, forte e vibrante como sempre.
    Deixo aqui o meu relato José Aparecido, para corroborar o que você bem disse ” o assunto parece bem mais grave do que aparenta”. Sendo assim, que as autoridades, os profissionais da área da saúde e também a população, tenha assiduidade em relação a esta questão.
    Outro ponto relevante, é a necessidade da doação de sangue, tem pessoas morrendo pela não possibilidade de uma transfusão sanguínea…vamos doar sangue, não podemos deixar que a rotina pesada nos desumanize.
    Parabéns pelo artigo, pelo alerta!!

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