Plano Diretor do Kali agora é do Jair Di Gregório

POR José Aparecido Ribeiro. (OPINIÃO)

Usando de uma manobra pouco republicana, o Executivo Municipal apresentou, na calada da noite, as vésperas da votação do Plano Diretor, um Substitutivo que anula todas as emendas feitas até aqui pelos vereadores ao PL 1749/1 na Câmara Municipal de BH.  A trama espetacular não parece ter por trás a inteligência do prefeito, ele não é um político tarimbado para isso, mas carrega o carimbo da prefeita de fato, a secretária de regulação urbana, Maria Caldas com ajuda de algum vereador que conhece bem os meandros da CMBH e que deve ter interesses pessoais na aprovação do Plano. Coisa de gente experiente na política no que ela tem de pior e que o filósofo Maquiavel explicou em uma única frase: “Os fins justificam os meios”. A moral da política, nessas horas, não é a dos homens de bem.

A prática é comum nos bastidores de onde o Partido dos Trabalhadores continua dando as cartas, ele é especialista nisso. Vale lembrar, com efeito, que os verdadeiros mandatários nos bastidores do governo Alexandre Kalil é o PT, foi acordo costurado para levar o ex-presidente do Galo para Afonso Pena 1.212. Todas as áreas estratégicas da prefeitura estão nas mãos de “cumpanheiros”. Alguém tem dúvida de que Maria Caldas é da cota do vice-prefeito Paulo Lamac e do ex-governador Fernando Pimentel? Ela e praticamente todos os cargos de confiança da prefeitura.

Mas vamos ao que interessa, a trama teve como marionete o vereador Jair Di Gregório (PP). O político fanfarrão, acreditem, fez uma barganha usando o que a principio, parece interessante para as igrejas evangélicas. Explico: Em troca de ser o portador do serviço sujo, Jair conseguiu, ou foi oferecido a ele, que os templos religiosos fiquem isentos do confisco de coeficiente e da outorga onerosa, não precisam daqui para frente pagar pelo ODC – direito de construir. Mas por que essa “caridade” com o chapéu alheio acontece aos 44 minutos do segundo tempo há 20 dias da votação?

A bancada cristã virou um problema para Maria Caldas, pois dava sinais claros de que ia derrubar o Plano Diretor em segundo turno e acabar com o sonho da prefeita. Vale lembrar que a secretária de governo que tem mais poder do que o próprio prefeito foi convidada a deixar a prefeitura da  capital paulista exatamente por tentar usar métodos de gestão incompatíveis com o livre mercado em uma cidade capitalista, e eu explico novamente: A espinha dorsal do Plano Diretor daqui foi tentado lá, sem sucesso, levando o mercado da construção civil a prejuízos e queda vertiginosa. A economia de São Paulo é forte, se recupera, mas BH não tem a mesma capacidade. O termo “mais valia” usado para justificar o confisco do espaço aéreo dos terrenos não cabe lá e nem aqui, revela o viés ideológico do Plano.

De uma hora para outra, a prefeitura passa a ser dona de um direito que sempre foi do proprietário dos terrenos, mesmo tendo ele recolhido IPTU sob o espaço aéreo que o coeficiente lhe permitia construir. Chamo atenção para um fato importante: Do inicio do governo Patrus Ananias (PT) em 1994, até hoje, o coeficiente vem sendo reduzido paulatinamente. De nove vezes, estamos chegando a apenas uma vez. Não é por acaso que a cidade deteriora e que a construção de prédios mais altos não acontecem. O dois “arranha céus” da capital mineira continuam sendo os Edifícios JK com 130M, e o Acaiaca com 150M, obras realizadas na década de 60 do século passado. A arquitetura da cidade estacionou, pois é praticamente impossível usar a criatividade com os parâmetros da lei de ocupação do solo.

Sou capaz de apostar que Jair Di Gregório se quer leu o Substitutivo. O que as pessoas não sabem e o vereador não contou é que a maioria das igrejas não concordam com essa manobra indecorosa. O pleito atende a uma das correntes evangélicas, aquela que tem os maiores templos… A atitude pouco republicana obrigou os vereadores Gabriel Azevedo, Mateus Simões, Pedro Bueno e Fernando Borja obstruírem a votação na casa legislativa em protesto à mudança que deforma o já estragado PL 1749/1. Tudo feito dentro do regimento, mas imoral, indecente e maquiavélico. A reunião convocada às pressas, ad referendum “relâmpago”, tira o direito à participação da população na discussão que muda as regras de uso e ocupação do solo.

A proposta foi apresentada e aprovada no mesmo dia na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário, impossibilitando o debate sobre mais este substitutivo apresentado, e que desvaloriza os imóveis da capital em mais de 30%. A prova de que Jair Di Gregório está sendo usado por Maria Caldas veio na sua fala. Ele gastou 10 minutos elogiando a secretaria e 9 minutos discorrendo sobre sua emenda que tem, pasmem, 168 páginas. Não explicou nada, evidente, pois não tem noção do conteúdo. Se não fosse trágica a cena, seria cômica, uma verdadeira pantomima.

 

6 comentários em “Plano Diretor do Kali agora é do Jair Di Gregório

  1. Não sei se o que te incomoda mais: a proposta do plano diretor ou a autoria ser do PT? A pergunta é retórica e não carece de resposta.

    Mas, você tem razão em pelo uma parte: esse vereador Jair Di Gregório é o que sempre está envolvido em alguma polêmica, daquelas bem populistas, para não dizer “barraqueira”. Além desta, ainda tem o “teatro” protagonizado nas estações de ônibus, “segurando” a partida dos ônibus e “exigindo” a autuação por parte da BHTRANS pelos ônibus sem cobradores. E ainda aquela mal explicada envolvendo o filho dele nas categorias de base do Atlético. Tá mais para assunto do Eduardo Costa na Itatiaia.

  2. Nada contra o vereador Jair Di Gregório. Mas, neste episódio ele esta subestimando a inteligência dos moradores de Belo Horizonte. O Substitutivo não é dele. Deram-no. Conheço-o visto que trabalhei no seu gabinete por 4 meses e, por razões que não precisam ser comentadas aqui, rompemos o vínculo laboral. Reitero: nada pessoal. Mas Jair Di Gregório não tem intelecto, não tem conhecimento e nem competência profissional para se imiscuir em matérias que diz respeito ao Plano Diretor. Convidem-no para um debate, coloque-o para explicar, em destaque, cada um dos conteúdos apresentados no projeto de lei, do qual ele é apenas um Pseudo-Autor. Atrás de seu rompante político, grassa a irresponsabilidade. Lamento que, aquele que diz “ser meu Amigo”, como dito em Plenário, há alguns dias, se preste a práticas tão mesquinhas e imorais. A autoridade que Deus lhe proporcionou não o autoriza a tornar-se um “Vendilhão do Templo”. “Paz Senhor Irmão”.

    • Lamentável seu comentário Renato Simão, acho que o Senhor está ressentido e se acha além da inteligência, sua fala soa arrogância, orgulho… queria ver você falar isso pessoalmente para o vereador , mas sei que não pode, pois foi expulso de seu gabinete…

  3. Lamentável. A autoridade que Deus lhe proporcionou não o autoriza a comportar-se como um “Vendilhão do Templo”.

  4. Sinto-me enojada…um prefeito egocêntrico…um plano diretor orquestrado pela inconsequente secretária Maria Caldas, petista assumida. Que como citado por você em um artigo anterior, com este mesmo plano jogou o mercado imobiliário e da construção civil da cidade de São Paulo na pior crise da sua história. Ou seja, é um caos planejado, um consciente passo para o fracasso de BH.
    Quem sai ganhando é o ego do nosso prefeito, enquanto a cidade já castigada, perde feio…
    Quanto à emenda (manobra, jogo baixo): das igrejas serem isentas de pagar impostos para construção…
    Lembro-me de ter lido, que na votação do primeiro turno, centenas de pessoas humildes, inocentes, eram orquestradas por um religioso católico bastante conhecido, dito comunista…os populares que com toda certeza não tinham entendimento do que estava acontecendo, esbrajevam as falas do tal comunista, como papagaios…

  5. José Aparecido, sabe o que eu acho mais NOJENTO?

    NOJENTO, na extensão máxima da palavra, é esse Eduardo Costa, esse sujeito da Rádio Itatiaia (que se diz “professor” – se ele diz ser professor, sinceramente, no Apocalipse, qualquer um pode ser),
    fazer um trabalho de candinha leva-e-traz, como agora à pouco, às 13:00 horas, no tal programa dele, intitulado de “Chamada Geral”,
    entrevistar essa oligofrênica chamada Maria Caldas, a destruidora CONTUMAZ de Belo Horizonte,
    realizar uma entrevista completamente direcionada (para defendê-la e defender suas ideias em detrimento da entrevista do dia anterior), tentando convencer os ouvintes – e eu tenho certeza que é a GRANDE MAIORIA – que não tem conhecimento algum sobre a tragédia que Belo Horizonte será colocada e vitimada para os próximos anos,
    perceber o cinismo político escancarado durante todo o decurso das falas,
    ouvir em um trecho (já final) da interlocução que, excetuando a questão dos estacionamentos subterrâneos que não foram pra frente por causa da própria intervenção dessa Maria Caldas, ele está a favor dessas “transformações” prometidas por esse tal “Plano Diretor”,
    ouvir na contra-interlocução, a Maria Caldas afirmar que o futuro das cidades será sem carro,
    e depois de encerrada a entrevista, ouvir esse mesmo Eduardo Costa fazer propaganda para a Reauto, concessionária de venda de AUTOMÓVEIS Volkswagen, situada na Praça da Cemig em Contagem e em Betim.

    Isso é que é NO-JEN-TO.

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