Valsa prateada – Coluna Sexta Marcha

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*** Aqui estão as mal-traçadas linhas sobre o GP austríaco, que prometeu muito, entregou bastante, mas não o que boa parte da torcida brasileira esperava. Por mais que se critique, ou tente explicar, Felipe Massa fez o que dele se esperava nas 14 primeiras voltas e, por motivos que eu discuto no texto, não conseguiu ao menos o pódio. Mas não deveria ser alvo de ataques baratos, ou de insinuações injustas…  Desta vez a coluna saiu na versão digital do ESTADO DE MINAS, como será o caso no GP da Inglaterra, voltando às páginas de papel depois da Copa

Valsa prateada

Lógico que, antes de dormir sábado, pensei em como seria bom voltar a falar de uma vitória brasileira na F-1, de tão bom que foi ver Felipe Massa sair na frente em Red Bull Ring. Seria uma redenção completa, não só de um piloto que se tornou alvo de críticas de todos os lados – muito mais no Brasil do que fora dele – mas também a resposta indireta e ansiada a outro GP da Áustria, o de 2002, que fez com que boa parte da crença verde e amarela em seus representantes e no sonho de novos títulos praticamente naufragasse. Um episódio que tristemente marcaria a carreira de Rubens Barrichello tanto ou mais que os dois vices, 11 trunfos e 14 poles. Como as mensagens nada cifradas vindas pelo rádio se tornaram o drama daquele que o sucedeu na Ferrari, e que pensou estar livre disso ao se mudar para a Williams.

Pois o resultado do GP emoldurado no belo cenário dos Alpes na região da Stiria haveria de servir como gasolina na fogueira dos críticos de plantão, que voltaram à carga como o ERS em modo potência máxima depois do toque com Sergio Pérez no Canadá. E eu até entendo, mas não consigo concordar.

“A pole foi sorte, se Hamilton não tivesse rodado, seria no máximo um terceiro lugar”. Ora, e quantas corridas foram decididas ou encaminhadas graças a lances do acaso, inesperados? Alain Prost mereceu menos a vitória em Mônaco’1988 porque Ayrton Senna, de tão líder, se desconcentrou? Lewis Hamilton foi um campeão mundial indigno em 2008 (em cima de alguém que tão bem conhecemos…) só porque contou com a providencial ajuda da rodada de Timo Glock em Interlagos?

Basta mandar a paixão trocar os pneus nos boxes para constatar que a resposta é uma só: não. Ainda que as duas Mercedes estivessem “fora do páreo”, urgia superar outros 19 pilotos, e foi o que o brasileiro fez. E ainda largou de forma impecável, manteve distância confortável para os perseguidores nas primeiras voltas e em nenhum momento se descompôs na condição de líder.

Mas corridas não são decididas apenas na pista, como foi exatamente o caso em Zeltweg, ou A1 Ring, ou Spielberg, ou Red Bull Ring, que são a mesma coisa. O vencedor Nico Rosberg admitiu que o cheque-mate foi a decisão de antecipar a primeira parada, para apostar no ritmo com pneus novos. Foi o que fizeram e deu resultado. A Williams, apesar da experiência de Pat Symonds e Rob Smedley na mureta, preferiu ser conservadora.

Lógico que o segundo a mais gasto no pit não explica, sozinho, a distância para o companheiro Bottas e o pódio, mas o momento do retorno à pista foi mais favorável para o finlandês. Tivessem os quatro primeiros seguido juntos o caminho dos boxes (aliás, ô entradinha enjoada…) e talvez seguissem brigando até a bandeirada.

“Ah, mas ele terminou atrás do companheiro e tem pouco mais da metade dos pontos de Bottas.” Ok, é verdade, mas nada fez para ser atingido por Kobayashi na Áustria ou perder um caminhão de tempo nos boxes na China. E leva ampla vantagem nos treinos oficiais. Estivesse ainda na Ferrari e naufragaria no fim da zona de pontuação, como faz Kimi Räikkönen. Que nem por isso é um piloto “mais ou menos”. Simplesmente não foi ontem, mas ainda pode ser. O que não é pouca coisa para um representante solitário que tantos davam como aposentado já no ano passado.

Tudo é relativo

O circuito austríaco já foi palco de corridas memoráveis – a de 1975, com Vittorio Brambilla rodando após a bandeirada sob forte chuva é uma delas – e outras de um sono inevitável. O básico do traçado não foi alterado ao longo dos anos, e foi nele que se viu uma das melhores provas da temporada. Era o que se esperava considerando as subidas e descidas, as freadas fortes e sequências de curvas rápidas reunidas em apenas 4.321m. E que nenhum Herman Tilke foi capaz de comprometer…

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