Vai entender…

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Pense na seguinte situação: o cenário econômico não é dos mais favoráveis e você tem duas (na verdade três, mas uma compõe um cenário à parte): a LMP1, que abriga sob o mesmo teto Audi R18, Toyota TS030 e os poucos times privados capazes de enfrentar os esquadrões oficiais, mesmo assim gastando fortunas; e a LMP2, para modelos cujo preço do chassi não pode superar os US$ 345 mil (cerca de R$ 680 mil) e os motores têm custo máximo de US$ 75 mil/ano. Enquanto na primeira você conta nos dedos de uma mão quem produz protótipos (sim, estamos falando das competições de endurance, caso ainda não tenha dado para notar), na segunda a lista é bastante razoável: Lola, Oreca, Zytek, Lotus, Morgan/OAK, HPD-Honda, Radical e Bailey.

Aí você pega a American Le Mans Series (ALMS), que vai viver sua última temporada para, em 2014, formar um só campeonato norte-americano com a Grand-Am, e lembra que, do ano que vem em diante, as pistas da terra do Tio Sam não mais receberão os megaprotótipos ultracaros, mas sim as máquinas que, na teoria, se ajustam melhor aos orçamentos dos times menores. LMP2 e os menos interessantes Daytona Prototypes serão unidos em uma só categoria principal, enquanto os GTs terão seu espaço à parte, algumas vezes até em grids diferentes nas pistas mais curtas. E leva em conta que sobram nas garagens exemplares dos P2 – a Level 5 tem dois HPDs e dois Lolas; a Dempsey tem um Lola; a Starworks um HPD, a Conquest tinha um Morgan-Nissan.

Então, você vasculha os sites especializados, revistas, blogs e descobre que quantos carros estão inscritos no que será “a categoria do futuro”? Zero, caro leitor, um redondo e retumbante zero. Até mesmo o Deltawing, que poderia fazer parte da festa, será “anabolizado” para correr como P1. E pensar que a partir deste ano os motores diesel serão aceitos também na P2 e a Mazda investiu pesado para desenvolver o seu Skyactiv 2.2. E que Scott Tucker, o bilionário dono da Level 5 Motorsports, espera, com razão, que surja alguma concorrência para mandar seus carros à pista. Por enquanto, nada.

E olha que seria uma forma bastante fácil de ganhar um campeonato com a chancela do Automobile Club d’Ouest (ACO), organizador das 24h de Le Mans, assim como a inscrição garantida na mais famosa prova de resistência do planeta. E de se preparar para 2014, quando quem nao tem o seu Daytona Prototype terá de arrmar outra coisa para correr. Saudade dos tempos da IMSA, em que Jaguar, Porsche, Nissan, Toyota e GM (Intrepid) brigavam pelas posições de ponta, mas os pequenos Spice, Tiga, Kudzu e March mediam forças na divisão Camel Lights, a LMP2 de então. Vai entender…

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