Uns prometem muito, outros fazem…

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Semana passada falei da situação da F-Superleague, aquela que nasceu no fim de 2008 como tentativa de juntar automobilismo e futebol e que teve certo sucesso nas primeiras temporadas, nem tanto pelas arquibancadas lotadas (longe disso…), mas por apostar num monoposto que talvez só fique atrás dos da F-1 e da IRL quando o assunto é a potência e a dimensão. Muita gente boa esnobada pelo circo teve uma segunda chance, outros que nem sequer tiveram a oportunidade de alcançar o topo conseguiram mostrar talento: casos do bicampeão Davide Rigon, de Craig Dolby, Neel Jani, John Martin, entre outros (a segunda turma); ou de Sebastien Bourdais, Franck Montagny, Robert Doornbos e Antônio Pizzonia (a primeira). Os Panoz Elan V12 e seus 650cv são belas máquinas, mas a parceria entre gramados e pistas não decolou, o patrocinador que garantiu o dinheiro no ano passado fez as malas e… depois de anunciar que não iria à Nova Zelândia, não iria à Rússia, não viria ao Brasil, os organizadores cancelaram as etapas asiáticas, na prática decretando o fim do campeonato, salvo reviravoltas de última hora. O que ocorreu com a A1GP, igualmente interessante, mas igualmente extinta (no último ano os carros levavam a marca da Ferrari, com desenho e motor ‘made in Maranello’) pelo visto não serviu de exemplo.

Pois foram justamente os Lola Zytek deixados de lado pela A1GP em 2009 que deram uma nova alma a um campeonato que vem dando certo, quando tudo fazia pensar no contário. Era uma vez o Europeu de F-3000, que consagrou Felipe Massa, Augusto Farfus, entre outros, e tinha organização e logística centralizados na Itália. A F-Renault 3.5 World Series (que aliás deveria vir ao Brasil em 2012, mas parece que não vem mais) ganhou dimensão global, revelou Vettel e Kubica; as categorias citadas acima começaram a fazer concorrência, veio a GP2 (e em seu rastro a GP3), e a AutoGP vai muito bem obrigado. Cria do ex-piloto e dono de equipe na F-1 – aliás, um time que sonhava em ser a Minardi e nem isso conseguia –  Paolo Coloni, ela nada mais é do que o antigo Europeu com os Lola e seus 550cv de potência, e custos que talvez cheguem à metade do que se gasta numa GP3 ou Renault World Series, não mais do que isso. A categoria chegou a ter um patrocinador disposto a gastar os tubos (o site PartyPoker), distribuiu prêmios milionários, perdeu a bolada, mas não a força. Times como DAMS, SuperNova, Durango e Ombra, referências na Europa, se juntaram à aventura e se mantêm nela. Gente de talento como Romain Grosjean, o melhor em 2010, Luca Filippi (que foi vice da AutoGP e da GP2 este ano), o campeão Kevin Ceccon, Adam Carroll, Adrien Tambay (filho de Patrick) mede forças com direito a transmissão ao vivo pela TV para o continente europeu. Coloni aposta numa dobradinha com o Mundial de Turismo (o WTCC), o que diminui custos e aumenta a exposição, oferece preços irrisórios para a realidade do esporte – os testes coletivos para novatos, dias 3 e 4, saírão por 5.000 euros, o que não paga um treino de F-3 sul-americana, por exemplo. E os melhores ainda ganham testes no time de GP2 da Coloni, além de bons prêmios.

Diferentemente da turma da Superliga, a AutoGP, sem o menor alarde, divulgou o calendário’2012 e, nele, está prevista uma rodada dupla em 29 de julho, em Curitiba. Lógico, no mesmo fim de semana do WTCC. E olha que não vai ficar devendo em nada aos carros de turismo. Talvez o que falte sejam brasileiros dispostos a repetir a trajetória de Massa e Farfus e seguir por este caminho e pela Auto GP. Ela sim está com a bola toda…

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