Uma foto e duas histórias…

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Numa destas andanças habituais pela internet encontrei a imagem abaixo, capaz de causar arrepios em qualquer amante da velocidade que se preze (ou quase, já que pode haver quem não goste da marca). Trata-se da sede do braço norte-americano do Toyota Racing Development (TRD), em Costa Mesa, na Califórnia. Como toda montadora ou equipe que se preza, os nipo-americanos fazem questão de preservar um patrimônio feito de conquistas e façanhas nas pistas, em estantes gigantescas (pelo menos três metros de largura), cuidadosamente mantidas. Um olhar mais atento mostra, à esquerda, o Lola com que Cristiano da Matta deu o primeiro título da Indy à marca da elipse, em 2002; o protótipo do Camry que ousa desafiar a supremacia yankee na Nascar, a picape Tundra que marcou a primeira experiência da fábrica com a Stock; o G-Force comandado por Scott Dixon e, ao fundo, as picapes para corridas de Baja e os Celica com que a maior produtora de veículos do planeta encarou a Trans-Am e a IMSA nos anos 1990.

No andar de cima, destaque para o chassi Eagle desenvolvido por Dan Gurney, parceiro de longa data da Toyota; o Reynard com que o mesmo Cristiano conseguiu, no GP de Chicagoland de 2000, o primeiro sucesso de um V8 do TRD na Indy. Não sei quanto a você, mas, para mim, as joias da coroa são as máquinas com os números 98 e 99 – três versões dos protótipos Eagle GTP concebidos por Gurney e que fizeram história nas provas norte-americanas de longa duração, especialmente sob o comando de Juan Manuel Fangio II (o sobrinho).

A imagem me fez lembrar de uma inesquecível visita à sede da equipe Target Chip Ganassi (a da Indy), em 2002. O patrão e alguns de seus principais homens nas pistas receberam um grupo de jornalistas às vésperas das 500 Milhas daquele ano e fomos levados a setores como o da laminação de fibra de carbono, prototipagem, usinagem ou as baias onde são montados e revisados os carros entre as corridas. Mas nada chamou tanto a atenção quanto a área onde as imensas carretas encostam para carregar e descarregar o equipamento. Na entrada do galpão, estantes como as da foto da Toyota em que descansavam silenciosos exemplares de todos os carros alinhados por Chip na categoria, desde o Penske que começou a aventura em 1990, com Eddie Cheever. Lá estavam carros campeões com Vasser, Zanardi, Montoya; vencedores de corridas com Bruno Junqueira – depois viriam vários outros triunfos com Scott Dixon e Franchitti, o que me faz imaginar que a área teve de ser ampliada. Reza a lenda que Ganassi, zeloso pelo patrimônio e dono de uma tremenda fama de pão-duro, apenas ano passado entregou a Alex o Reynard com que ele venceu os títulos de 1997 e 1998 – olha que estava prometido há tempos…

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