Triste automobilismo brasileiro, parte 3.235…

Publicado em Sem categoria
O comentário foi feito pelo experiente colega Wagner González, o Beegola, com toda a propriedade: no dia em que o Automobile Club d’Ouest (ACO) e a FIA anunciaram os 56 inscritos para as 24h de Le Mans, os 31 carros que disputarão a íntegra do Mundial de Endurance e os 42 que vão encarar mais uma temporada da European Le Mans Series (ELMS), as esferas dominantes do nosso automobilismo brazuca fizeram saber que o GT Pro estava morto antes mesmo de nascer. Só para refrescar a memória de quem não estava a par da história, o Brasileiro de GT acabou nos moldes antigos e um grupo de pilotos e entusiastas encabeçados por Marçal Melo começaram a articular um certame para manter os carrões em ação. A coisa começou muito bem, o regulamento ampliou as máquinas permitidas, dando a chance de os protótipos com rodas aro 18 se juntarem à brincadeira; começaram a pipocar notícias de times se preparando, comprando ou montando novos carros e ansiosos pela chance de acelerar. Melhor de tudo, surgiu a chance de uma parceria com a F-Truck, o que garantiria o público e seria bom para as duas partes, já que o público dos pesados ganharia ao ver os GTs e estes teriam a chance de contar com arquibancadas cheias.

Pois hoje a organização da F-Truck alegou “conflito de patrocinadores e diferença de perfil entre as duas categorias” para desfazer a parceria. Não vou entrar em detalhes, só posso dizer que Marçal Melo deixou claro, a quem quiser ler ou ouvir, que nem patrocinador principal a GT Pro tinha ainda. “Isso me faz pensar que fomos feitos de idiotas”, ele comentou no Facebook. Mais do que colocar o dedo no nariz de alguém ou ficar tentando identificar culpados – imaginem quantos empregos seriam gerados com um grid de 20 carros, como se esperava – é o caso de lamentar e prever dias sombrios para o nosso esporte. Não temos GT, temos endurance apenas no Rio Grande do Sul, as pistas desaparecem (a reforma de Goiânia é um oásis num deserto de asfalto) e o fenômeno, como já comentei, não se limita às pistas, mas também a outras categorias e modalidades. Que graça tem torcer pela desgraça (com o perdão do trocadilho)?; agir para ver o circo pegar fogo ou fechar portas que mereciam seguir abertas? Triste automobilismo brasileiro… Será que o último a sair vai apagar a luz?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *