TC3: Melhor não mexer com quem está quieto…

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Era uma vez um italiano chamado Marcelo Lotti que pôs na cabeça que era possível criar um Mundial de Turismo não em etapa única como se fez em algumas temporadas, ou em duplas e com máquinas do Grupo A, tal como foi o caso na década de 1980 – tempo dos Ford Sierra, BMW M3, Holden Commodore e outros mais (havia um Europeu praticamente com status de competição planetária). Pois em 2005, com o suporte da Eurosport, rede de canais esportivos de TV por assinatura, nascia o FIA WTCC, que inaugurava o regulamento Super 2000 (motores 2.000cc aspirados), com a promessa de custos limitados e participação maciça das montadoras.

Que foi e é um sucesso se torna quase desnecessário dizer, já que o certame segue firme e forte e foi capaz de atrair pilotos como sua majestade Sebastien Loeb. Mas, depois de leais e bons serviços, il signore Lotti foi dispensado no fim de 2012 e suas funções passaram a ser exercidas por Eric Neve, ex-manager da Chevrolet no mesmíssimo WTCC e François Ribeiro, diretor da Eurosport. Até onde consta, não porque fosse necessária qualquer mudança, ou algo tivesse sido feito de errado.

Pois eis que Lotti apenas esperou a poeira baixar e, com toda a experiência acumulada e a poderosa rede de contatos, resolveu armar o contra-ataque. A partir de 2015, o automobilismo internacional vai ganhar uma nova série: o TC3 International Series. Até o nome tem sua razão de ser e não deixa de alfinetar os ex-parceiros – TC1 e TC2 são as atuais categorias do WTCC.

E qual é a ideia? Reunir carros como os Seat León (foto) que disputam um campeonato na Europa (a Eurocup); ou modelos desenvolvidos por preparadores e equipes, mesmo sem o apoio das fábricas. Os motores serão turbo (gasolina ou diesel) de 2.000cc, com cerca de 320cv, o câmbio será standard para todas as máquinas e as corridas terão, em média, 60 quilômetros, sendo curtas e rápidas justamente para atender o interesse da TV. O formato de qualificação é até desnecessário dizer de onde veio, e o objetivo é, no primeiro ano, realizar 12 etapas, três delas em solo americano (Lotti trouxe o WTCC a Curitiba, pode perfeitamente repetir a dose com a nova criatura). Com times já confirmados e a perspectiva de se criar campeonatos nacionais, o Mundial tem tudo para ganhar uma forte concorrência. Foram mexer com quem estava quieto…

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