Sim, se pode…

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Primeiro semestre de 2012. Sim, há quase quatro anos chegava a meu conhecimento a ideia de construir um autódromo internacional em Curvelo, distante 160 quilômetros de Belo Horizonte, o que seria mais uma de tantas tentativas, projetos, sonhos. Ainda que no início houvesse poucos elementos que garantissem o sucesso da empreitada, valia a pena acreditar, mesmo porque todo o tipo de ajuda, seja com uma simples divulgação neste espaço, seria importante para fazer a pequena bola de neve rolar ladeira abaixo, transformando-se numa avalanche.

Houve um primeiro terreno, um primeiro esboço de pista, tanto um quanto o outro mudaram, mas a ideia louca seguiu adiante, talvez de forma mais forte do que eu pudesse imaginar. Olha que por muito tempo eu acompanhei de longe, até ter a chance de conhecer tudo de perto, ao lado dos organizadores da F-Truck, que saíram entusiasmados da visita, muito embora o traçado ainda estivesse desenhado na terra. Voltei alguns meses depois e não só pude descobrir como ele ficou coberto por algumas camadas de asfalto, como ter a sensação de acelerar com meu carro de rali ao longo dos mais de quatro quilômetros de extensão e entender um pouco do que tanto se comentava sobre o desenho, que não precisou de nenhum Herman Tilke, é brasileiríssimo, assim como várias soluções encontradas para tornar o complexo mais eficiente e seguro.

Hoje o Circuito dos Cristais é tanto uma realidade que já aparece na primeira versão do calendário da Stock Car para 2016, como a penúltima prova da temporada. E a Truck também é presença quase certa, assim como a primeira edição do Mineiro de Motovelocidade – e na esteira dele os certames da Moto 1.000GP e do Superbike Series Brasil. E se houve narizes torcidos e expressões de ironia e descrédito quando se falou em trazer eventos internacionais, essa turma deve rever seus conceitos. Nessa semana, não apenas um, mas dois ex-pilotos craques da Moto GP estiveram em Curvelo e viram que trazer a competição máxima das duas rodas ao coração das Minas Gerais está longe de ser loucura. Se Alexandre Barros, que dispensa apresentações, tem ajudado como consultor e parceiro, o italiano Franco Uncini (sim, o campeão mundial das 500cc em 1982, pela Suzuki, este no meio da foto) é nada menos que o diretor de segurança da Dorna, a organizadora do certame que envolve Rossi, Márquez, Lorenzo, Pedrosa e tantos outros. Com eles, o espanhol Javier Alonso, diretor de eventos da Dorna.

Se Alex já tinha uma boa ideia do trabalho feito, Uncini e Alonso se mostraram bastante impressionados, mesmo olhando com a visão fria de quem tem de pensar em todos os aspectos – segurança, logística, estrutura, acessos. Como o trabalho tem sido pensado inclusive para atender as normas de homologação da FIM, mais rígidas inclusive que as da FIA, e os detalhes ainda podem ser ajustados conforme as recomendações (o que não é o caso numa pista pronta), fazer com que o complexo integre o calendário da Moto GP é menos complicado do que parece – lógico que, a esta altura, estamos falando, na melhor das hipóteses, em 2017. E, se as duas rodas podem, não haveria qualquer dificuldade em trazer o WTCC, ou a TCR International Series, ou o FIA RX Rallycross, só para ficar nas possibilidades concretas. Sem contar que poderíamos ter um ótimo palco de testes para os times das várias categorias, obrigados a lutar contra o frio e as intempéries do inverno europeu e procurar destinos alternativos em suas pré-temporadas. É, moçada, pode começar a se beliscar. O que foi apenas um pedaço de papel hoje é uma bola de neve impressionante, que ainda pode crescer muito, mesmo no calor da terra dos cristais que dão nome ao circuito…

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