Sem deixar saudades (Coluna Sexta Marcha – GP de Abu Dhabi)

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É, meus amigos… Não sei quanto a vocês, mas a 66ª temporada do Mundial de Fórmula 1 chega ao fim com a certeza de que, no meu caso, não deixará saudades. Olha que não é de hoje que, neste espaço, venho falando do que infelizmente se tornou assunto e não deveria ser, e a última bandeirada do ano, em Abu Dhabi, apenas reforça uma impressão construída ao longo de 19 GPs.

Talvez até, se eu ficasse apenas no que se passou em Yas Marina, pudesse manter o título “Mais do mesmo, parte 3”. Afinal, com as posições praticamente definidas de véspera, como no México e em Interlagos, os assuntos voltaram a ser a incapacidade da Mercedes em administrar a rivalidade entre seus pilotos com algum jogo de cintura; a relação de amor e ódio entre Fernando Alonso e a McLaren; a forma lastimável pela qual a Lotus chegou até aqui, devendo mundos e fundos, e a polêmica envolvendo o futuro da Red Bull. Sim, Nico Rosberg venceu de novo e chegou à sexta pole consecutiva, mas eu pergunto: fez alguma diferença?

Porque se finalmente Toto Wolff aceitou que seus pilotos pudessem escolher estratégias diferentes, apenas jogou para a galera. Lewis Hamilton jurava ser capaz de levar o carro ao fim do GP sem um segundo pitstop, mas foi impedido de provar. E se a decisão de optar pelos pneus macios (e não os supersoft) no último stint da temporada foi tomada também dos boxes, pior ainda.

E é impressionante como, para praticamente tudo e todos este ano, a culpa sempre foi do outro. Poucos pitstops? Culpa da Pirelli, que ainda tinha de administrar as cobranças das equipes e ficou com fama de má ao ditar as pressões seguras para os pneus na reta final do ano. Equipes na pindaíba? Culpa das grandes, que bateram o pé por um regulamento em que o fornecimento de motores ao longo da temporada custa impressionantes US$ 30 milhões, e hoje não aceitam que um propulsor “alternativo” seja oferecido aos pequenos. Para completar a festa (e isso eu já havia comentado aqui), essa história de punir um piloto com a perda de 15, 30, 50 posições depois da troca de algum componente da unidade de potência além do permitido, só aumentou a confusão na cabeça do pobre torcedor, que vê uma coisa na pista, e outra na realidade.

Pensar que teve gente com muitos anos de janela defendendo a volta da F-1 aos “tempos mágicos das décadas de 1980 e 1990, quando vários times e pilotos brigavam pela ponta”. Deve ter tido crise de amnésia, esquecendo-se que, de 1987 a 1990, um time dominava sozinho e os outros limitavam o estrago (e eu nem comento a Williams do período 1992/1993). Mas ao menos eram rivalidades de verdade, não confrontos administrados dos boxes sem a menor diplomacia.

E o pior de tudo é que, com o andar da carruagem, é praticamente impossível esperar que, com alguns detalhes, será possível trazer de volta tudo o que anda em falta no circo. Não se vai enxugar a programação dos GPs, e, por outro lado, não se pode aproveitar o tempo de pista para que as equipes façam os testes que não podem fazer durante a temporada (imagine se cada uma pudesse usar, ao menos às sextas-feiras, um terceiro carro). Aliás, é até engraçado que as sessões extra-oficiais entre as corridas tenham sido banidas em nome de uma pretensa economia, quando se gasta os tubos nos computadores, túneis de vento e simuladores.

       Mercedes AMG Petronas/divulgação

O mais preocupante é notar que a ideia de modificar radicamente os carros para apimentar o espetáculo, com pneus maiores, motores mais potentes e mais trabalho para pilotos e equipes, ainda não saiu exatamente do estágio de ideia, o que é um bocado tarde para entrar em vigor em 2017. E enquanto não mais que uma escuderia trabalha para se juntar à brincadeira (lembremos que a seleção feita este ano pela FIA não foi adiante por falta de propostas sérias e fortes o suficiente), não falta gente ameaçando fechar os boxes e encerrar as atividades. Longe de mim desenhar um cenário catastrófico, mas, como também já havia dito antes, se continuar assim, a galinha dos ovos de ouro das pistas do mundo vai virar churrasco. Tomara que não seja tarde demais…

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