RISCO DE VIRAR BAGUNÇA

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    Que o rali de velocidade é o patinho feio do automobilismo brasileiro não é propriamente uma novidade. Apesar de ser uma modalidade espetacular, de atrair bons públicos em cidades como Curitiba, Erechim e Ouro Branco e de envolver montadoras oficialmente (a VW voltou à competição com dois carros na etapa brasileira do IRC e terá quatro Gols a partir de Erechim, no fim do mês), todo ano é a mesma situação. As regras são publicadas em cima da hora, mudam com o sabor das conveniências e a polêmica impera entre pilotos, navegadores e equipes. O que é feito de positivo acaba atropelado por algumas derrapadas graves.     Vejam só: no ano passado foi criada uma categoria para os carros com preparação limitada que reagrupou os modelos até 1.600cc (a classe N2, pelas regras da FIA, e até 1.800cc (a N3). A fórmula foi mantida este ano e ganhou até um nome pomposo: Super N, agrupando inclusive carros que, na teoria, não poderiam fazer parte da lista. Em nome do espetáculo, tudo bem, todas as partes envolvidas concordaram.        Eis que, pouco mais de uma semana antes da abertura da temporada, na capital paranaense, surge um adendo tornando obrigatório o uso de um modelo de pneu da Pirelli que foi produzido às pressas, sem que houvesse tempo para testes pelas equipes. Para piorar, o “Scorpion Rally” só está disponível no aro 14. Havia dois Ford Ka inscritos que não puderam correr porque, coitados, têm aro 13. Ou o Focus dos irmãos Sartori e um Fiat Punto que chegou a andar em temporadas anteriores, já que os dois têm rodas com aro 15.         Se a fabricante italiana tivesse oferecido algum subsídio ainda vá lá, mas nem desconto há. Quem aceitar corre, quem não quiser que vá buscar outra freguesia. E, em Erechim, chuva e lama sempre dão as caras, mas não existe um pneu disponível para condições de aderência precária. Como se não bastasse, hoje a CBA divulgou um adendo ao regulamento que completa a lambança. Quando foi criada a Super N, a decisão foi de manter a N2 Light para duplas iniciantes e carros com preparação menor ainda. “Extravagâncias” como o coletor de escapamento 4 em 1 ou a injeção livre de combustível eram proibidas. Pois agora vale tudo. Inclusive andar com os Peugeot 206 que, em qualquer outro país, alinham no Grupo A (de All), para os modelos com maior grau de preparação. A explicação? “Atrair novos competidores para o Brasileiro.        Mais uma bola fora. Dificilmente a medida vai trazer os efeitos esperados. Quem tem o carro praticamente standard não vai querer começar no esporte correndo contra quem tem equipamento bem mais forte. Pior para o rali, apesar de termos duplas brigando por bons resultados em competições internacionais, gente abnegada auxiliando na organização de alguns campeonatos – casos dos navegadores Ricardo Costa, o Costinha, e Nilo de Paula, que estão trabalhando no Paulista; e de competições como o próprio Paulista, que atraiu 18 carros em sua primeira prova (entre eles o deste que vos escreve. Depois eu conto como terminou a aventura em um barranco). Tomara que não seja o tiro de misericórdia. Felizmente quem tem paixão pelo esporte não deixa que ele morra…  

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