Rali de São Paulo – algumas considerações

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Antes de que me acusem de torcer contra, de não observar o lado positivo dos fatos, todos os méritos Rubens Barrichello e os que o assessoraram no planejamento do “Rali de São Paulo/Desafio dos Campeões”. O simples fato de trabalhar para dar, ao calendário brasileiro, mais um evento do gênero, é digno de elogios. O problema é que a teoria, na prática, foi bem diferente. Não adianta ter as melhores intenções se não se consegue aplicá-las para fazer um espetáculo digno do nome. E o que se viu sábado e domingo no Parque São Jorge esteve, sem exageros, entre o ridículo e o risível.

Vamos por partes: alinhar numa pista de terra modelos com acerto de chassi e suspensão, rodas e pneus de autódromo já seria uma insanidade em condições normais. O que dizer então de um traçado que, com tantas ondulações e lombadas, parecia mais adaptado ao motocross? Passaram da conta, e muito, e acelerar nestas circunstâncias não se tornou questão de talento e habilidade, mas de sorte e versatilidade. Para piorar, choveu (e realmente em São Paulo isso quase não acontece, especialmente nesta época do ano…) e a exigência da TV transformou a final num dérbi de demolição – foram quatro carros para a pista, quando deveriam ter sido apenas dois.

E quem acompanhou pela TV não deve ter visto, porque as câmeras não mostraram, mas o público foi nulo. Fruto da combinação entre o salgado preço dos ingressos, a desconfiança com um evento inédito por estas bandas e a cidade escolhida para recebê-lo – o que não falta são coisas para fazer na Paulicéia num fim de semana. Num palco sem autódromo ou mais receptivo – e aí eu penso em Curitiba, Florianópolis ou mesmo Belo Horizonte, com certeza bem mais gente prestigiaria. Quem sabe até numa arena coberta.

Moral da história é que se desperdiçou uma oportunidade de ouro para popularizar ainda mais o automobilismo – que ninguém chame aquilo de rali, porque não foi em momento algum, melhor seria adotar outro nome. E simplesmente seguir o exemplo da Race of Champions (ROC), que monta seu circo com um piso que reproduz asfalto e consegue, com perfeição, aproveitar o espaço restrito à disposição. E, se houver uma segunda edição, que se aprenda com os erros e as derrapadas, não dos carros, mas dos organizadores. Como os pilotos não tem nada a ver com isso, parabéns a João Paulo de Oliveira, que aliás apareceu bastante nos últimos posts do blog. Mesmo porque as condições, precárias, eram iguais para todos.

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