Por que eu defendo o GP do Barein

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Ok, estou caminhando em terreno pantanoso, mas, em meio à celeuma que envolve a etapa barenita do Mundial de Fórmula 1, prevista para o dia 22 e ameaçada pela instabilidade política no emirado, resolvi dar meu pitaco e justificar as razões pelas quais gostaria de ver a prova disputada normalmente. É lógico que estamos falando de uma situação de exceção, de críticas e reivindicações pesadas, mas não é possível nem sequer traçar paralelo com o que ocorreu com os vizinhos Egito, Líbia e Tunísia, e prossegue na Síria. Os manifestantes em Manama e adjacências integram a maioria xiita, que quatro décadas depois da independência do domínio britânico, finalmente se deram conta de que não são representados nas altas esferas do poder como deveriam. Mas, até onde consta, ninguém pediu a cabeça de qualquer integrante da dinastia Al-Khalifa, que governa o pequeno país de modo semelhante ao de vários do Oriente Médio.

O circo já legitimou de alguma forma um regime agora questionado, ao aceitar fazer as malas e vencer mais uma fronteira em 2004. As coisas eram como agora, só não havia protestos. A bem da verdade, nada se compara ao fato de vir ao Brasil e à Argentina no auge das respectivas ditaduras militares; ou demorar para entender a pressão de meio mundo contra a etapa em Kyalami, quando o Apartheid reinava na África do Sul. A preocupação com a segurança de pilotos, dirigentes e quem quer que acompanhe a caravana existe de Melbourne a Interlagos, e se há um local que pode ser considerado um oásis em campo minado, é justamente o circuito de Sakhir. Os carros chegam, aceleram e vão embora, sem que isso favoreça poderosos ou discriminados. Sem contar que países como a Espanha também vivem momentos econômicos e sociais no mínimo turbulentos, e nem por isso Barcelona e Valência serão varridas do calendário. Anular o GP pelo segundo ano consecutivo seria péssimo para a reputação da categoria, provocaria prejuízos consideráveis e ainda proporcionaria um duro golpe na intenção de internacionalizar o campeonato e vencer novas fronteiras. Há pobreza e violência no Brasil, como na Índia, como no Barein, desigualdades e injustiças, mas nem por isso a festa da velocidade deixa de ocorrer. Se fosse para varrer o emirado do mapa (da F-1), que tivesse sido pensado ano passado, antes de se fiar nas promessas dos mandatários e insistir com o calendário atual. Vejamos os que os próximos capítulos nos reservam…

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