Pintou a coluna sobre o GP da China…

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UM CONTO CHINÊS

Não, não vou começar com o “era uma vez”. Mas faz 10 anos que Bernie Ecclestone resolveu apostar no mais populoso país do planeta como mais uma parada de seu circo, que já havia chegado a outras paragens como a Malásia. A fórmula era a mesma: pista desenhada por Hermann Tilke, uma estrutura impressionantemente grande e a esperança de que não só a F-1 se perpetuasse num mercado de enorme potencial, como o automobilismo de uma nação convenientemente comunista apenas o necessário – e em termos econômicos cada vez mais aberta para o mundo gerasse pilotos, categorias, um público fiel. E enquanto no Barein ou na Coreia do Sul sobram lugares vazios nas arquibancadas e não se vê um efeito prático do investimento milionário (dos governos, diga-se de passagem), é bom ver a reta dos boxes de Xangai, delimitada por duas estruturas impressionantes, lotada; um reserva efetivamente filho da terra (Ma Qing Hua, da Caterham, que também disputa a GP2) e categorias de turismo e fórmula florescendo.

E decididamente os 5.451m do traçado chinês podem não ser os mais originais ou desafiadores da temporada, mas proporcionaram uma corrida movimentada. Desde o sábado, quando ficou claro que a Pirelli precisa levar adiante a ideia de entregar um jogo novo de pneus a cada carro que chega ao Q3, para evitar papelões a la Vettel e, já de véspera, transformar a prova num quebra-cabeças extra, obrigando o coitado do espectador a levar em conta quem está com o quê. Nada contra as estratégias diferentes, desde que elas sejam postas em prática assim que os sinais vermelhos se apagam. Afinal, o objetivo ainda deve ser premiar o mais rápido, não o mais perspicaz.

Muito embora as 56 voltas tenham, de fato, consagrado o mais rápido e também o mais perspicaz. Sim, o fã do programa “El Chavo del 8”, que tirou da TV o gesto com as mãos que se tornou marca registrada de suas comemorações; o namorado da longilínea Dasha Kasputina. Já disse neste espaço que Fernando Alonso é o mais germânico dos pilotos latinos, e o fim de semana deu mais uma prova. Não se deixou levar por tudo o que se disse de sua precipitação na largada em Sepang, muito menos uma suposta ameaça de Felipe Massa (e, cá pra nós, que diferença faria se ele tivesse sido superado pela quinta vez consecutiva pelo companheiro no treino oficial).

O Fernando equipado com os pneus macios era presa fácil, impressionante ver como embarrigava as trajetórias e brigava com a traseira do F138, enquanto Massa se mostrava bem mais equilibrado. Bastou trocar o amarelo pelo branco e, enquanto o brasileiro se perdia (que seja uma ocasião isolada, não a repetição do fenômeno que o fez mergulhar num poço que parecia sem fim), o espanhol fazia o GP tornar-se presa fácil. Menos mal que o brasileiro segue somando pontos preciosos, e está à frente de um errático, azarado e inconstante Webber, ou de um Button que ainda não enxerga a luz no fim do túnel. Já o garoto desobediente de Heppenheim descobriu que não dá para combinar com os adversários – aliás, foi engraçado ver Button e Hamilton perguntando aos respectivos engenheiros se deveriam ou não opor resistência aos adversários mais próximos, como se não fosse essa obrigação. Malas prontas e o circo segue para o Barein, onde pode não haver mais riscos de protestos étnicos, mas também não há público, nem pilotos, muito menos categorias ou perspectiva. Ao menos depois vem a Europa…

Triste, muito triste

Pena ver uma equipe campeã com Jones, Rosberg, Piquet, Mansell, Prost, Hill e Villeneuve isolada num limbo, perdida na terra de ninguém entre o pelotão dito intermediário (Sauber, Force India, Toro Rosso) e o quarteto do fim do mundo (que, aliás, reduziu bastante a diferença para o restante da turma). E pensar que muita gente crucificou Bruno Senna e festejou a chegada de Valtteri Bottas como o início de uma nova era. Lá estão ele e Pastor Maldonado correndo sozinhos, e a Williams como a sombra apagada do que foi, e dificilmente voltará a ser.


Presença discreta

Muita gente não se deu conta, mesmo porque a geração de imagens da FOM não creditou, mas o senhor que recebeu o troféu dos Construtores era presença ilustríssima, ainda que de paletó azul, e não de divisa vermelha. Piero Lardi Ferrari é o filho vivo de Enzo Ferrari (reza a lenda que o finado Dino, por ser fruto do relacionamento legítimo do comendador, era o predileto) e principal representante da dinastia. Muito embora tenha 10% do capital da marca criada pelo pai, sempre preferiu atuar nos bastidores e nunca foi falastrão como Luca di Montezemolo – chegou a comandar a Confederação Esportiva Automobilística Italiana (CSAI), com uma gestão bastante elogiada.

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