Picchio P4 pp: uma máquina para chegar às nuvens…

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Quem acompanha o blog há mais tempo sabe do fascínio exercido pela subida de montanha internacional de Pikes Peak, o PPIHC, uma das provas mais tradicionais e características do automobilismo mundial. No próximo dia 29, ela será disputada pela 92ª vez, com um regulamento tão simples quanto pode ser: respeitadas as determinações de segurança (bancos, cintos, dispositivos de proteção, vestuário antichama) e homologada pelos comissários, qualquer coisa pode subir. Já contei aqui da Toyota Tacoma que levou Rod Millen à vitória no fim dos anos 1990 e como seu projetista, o engenheiro Adam Schaechter, se divertiu criando uma máquina 100% pensada para render o máximo rumo ao topo do Pikes Peak, sem concessões ou compromissos. “As regras que tínhamos de seguir cabiam numa folha de papel”, lembra.

Eis que a modernidade trouxe o asfalto para os 19.980m de percurso, que se encerram a “agradáveis” 4.500m de altitude no coração do estado norte-americano do Colorado, e um certo Sebastien Loeb resolveu triturar os recordes com seu Peugeot 208 protótipo anabolizado, mas nem por isso o evento perdeu em charme ou tradição. E o post aproveita para apresentar uma das novidades na edição deste ano: o Picchio P4PP (de Pikes Peak).

A Picchio é uma pequena fabricante de bipostos de corrida sediada em Ancarano, que começou em 1989, criada pelo engenheiro Francesco di Pietrantonio e, desde então, já teve modelos acelerando no Italiano de Protótipos; na extinta ISRS, que era a principal série internacional de protótipos nos anos 1990; no Italiano de Subida de Montanha e na Grand-Am, com direito a terceiro lugar nas 24h de Daytona de 2003, com seu Daytona Prototype. E a ligação com os EUA se tornou forte o suficiente para embalar a iniciativa, que coincide com os 25 anos da marca. O P4 é o último exemplar de uma dinastia e vinha fazendo bonito nas subidas de montanha de seu país natal, embora com uma motorização feita em casa que não era a mais adequada para superar as Osellas, Wolfs, Normas e os F-3000 reciclados.

Entra então um propulsor turbo de origem Alfa Romeo, devidamente trabalhado (estamos em torno dos 450cv); o carro ganha uma gaiola que cobre inclusive o cockpit – algo importante para um traçado em que capotar não é impossível, considerando-se os precipícios pelo caminho – e uma asa traseira ainda maior, para garantir caminhões de downforce. O resto é com os cavalos do propulsor, os pneus e o trabalho do experiente Piero Nappi, napolitano que se junta à aventura. Diante de rivais como o vencedor das 24h de Le Mans Romain Dumas e seu Norma M20FC; ou da legião de pilotos da casa e seus engenhos, seria exagero falar em vitória ou recorde. Mas que o P4PP promete fazer bonito morro acima, não resta dúvida…

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