PIADA DO NÃO E NEM EU

Publicado em Sem categoria

“Conhece a piada do não, e nem eu?”
“Não”
“Nem eu”

Engana-se quem pensa que a montagem de regulamentos estranhos é exclusividade brasileira. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se superou este ano, com uma mudança radical nos ralis, que nem ela própria conseguiu compreender. Como assim? Há cinco anos foi criada uma categoria com limite de preços (US$ 150 mil, que só existia para inglês ver, e desrespeitar), na tentativa de impedir a escalada de preços na modalidade. Os carros criados conforme as regras WRC (tração 4×4, motores turbo de 2.000cc) passaram a custar fortunas, algo em torno de R$ 1,5 milhão cada, fora os custos impressionantes de manutenção. Coisa pra pouquíssimos bolsos. Surgiram, então, os Super 2000 (ou S2000), com caixa de câmbio standard e desenvolvimento limitado, além de motores 2.000cc aspirados e pouco menos – cerca de 30 cavalos – potência que os irmãos mais famosos. Os S2000 se transformaram nas estrelas dos campeonatos nacionais da Europa e ganharam sua própria série, o Intercontinental Rally Challenge (IRC), que se transformou em rival potencial para o Mundial propriamente dito. Simples, né?

Pois a FIA voltou a se assustar com os rumos da categoria e bateu o martelo. A partir deste ano, os carros dos Mundiais de Turismo e Rali terão motores iguais: 1.600cc turbo, e as máquinas que encaram as estradas abertas ficarão num meio termo entre os S2000 e os WRC. As montadoras foram obrigadas a desenvolver novos modelos, que o blog, aliás, já mostrou (Ford Fiesta, Citroen DS3 e Mini Countryman).

Só que aí bateu a dúvida: os carros que competirão nos campeonatos regionais (Europeu, Ásia-Pacífico, Codasur, África) e nacionais serão os mesmos do Mundial. Ficaria estranho, por exemplo, ver a mesma Ferrari de Felipe Massa comandada pelos pilotos da F-Future, só pra dar o exemplo. O que fazer? Especialmente porque, com as regras de homologação da FIA, criou-se um monstro: você pode criar um carro S2000, desde que ele tenha o novo motor. Não é uma coisa, nem outra.

Moral da história: tantas voltas, idas e vindas, marchas e contramarchas, cada um corre com o que quiser, onde entender (exceção feita aos WRC, que vão resistir em alguns países). Nessa brincadeira, o baiano Daniel Oliveira terá o privilégio de trazer de volta a Mini aos ralis, já que disputará a etapa de Portugal com um modelo preparado pela Prodrive (o time oficial só estreia na Itália, em maio). Só que o brasileiro vai comandar uma versão S2000, já que o modelo definitivo ainda não estará pronto. Não entendeu, né? Pois é, nem eu…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *