PERSISTÊNCIA E TALENTO

Publicado em Sem categoria

Correndo (não é trocadilho…) a classificação final do 30º Rali da Graciosa, mais uma vez válido pelo Intercontinental Rally Challenge, ou IRC, para facilitar, o que mais me chamou a atenção não foi a segunda vitória consecutiva do britânico Kris Meeke e seu Peugeot 207 S2000, ou mesmo a dobradinha dos súditos da rainha, já que Guy Wilks ficou em segundo, com um Skoda Fabia (carro que só assim se vê por estas bandas, já que a VW, dona da marca tcheca, nunca demonstrou interesse em vendê-la no país). É preciso descer um pouco e procurar em outra categoria. Para quem não sabe, no rali de velocidade, ao menos por enquanto, já que a FIA promete uma grande mexida para 2011, os carros são divididos conforme a cilindrada dos motores (turbo ou aspirados), o grau de preparação e o fato de a tração ser 4×2 ou 4×4. Ou seja: na ponta da tabela normalmente estão as máquinas mais potentes e preparadas, enquanto aqueles que têm apenas a suspensão reforçada, recebem a gaiola de proteção e pouco mais vêm em seguida. Isso quando um Davi não resolve incomodar os Golias. Foi mais ou menos o que fez um mineiro que mostrou que persistência, humildade, capacidade de aprender e competência são sim premiadas, muitas vezes contra quem tem bem mais combustível financeiro. Taí uma boa oportunidade para abrir o baú das recordações e dividir algumas coisas que presenciei, como pretendo fazer sempre neste espaço. O ano era 1999, quando enfim foi realizada a primeira edição do Mineiro de Rali de Velocidade. Eis que um piloto magrelo, alto, aparece numa das etapas com um carro desenvolvido em casa. Um Peugeot 205, coisa comum nas provas europeias da década de 1980, mas que era novidade por aqui, quando a marca do Leão já preparava o 206, seu sucessor no mercado internacional. “Montei uma suspensão que vai ficar bacana”, dizia, lembrando que o baixo peso e a agilidade do pequeno modelo jogariam a seu favor. Primeira largada e, poucos minutos depois, vem a informação. A suspensão milagrosa não funcionou como esperado e, já nas curvas iniciais, o carrinho capotou. Para a grande maioria seria motivo suficiente para empacotar as coisas, vender macacão e capacete e procurar outra coisa para fazer. Felizmente não foi o caso. Os acertos foram feitos, o 205 começou a fazer bonito e seu piloto a conquistar bons resultados. O carro já passou pelas mãos de muita gente boa e hoje está com a navegadora paulista Selminha Oliveira, que anda doida para mudar para o banco da esquerda e viver seus dias de piloto. E o piloto, Haroldo Soares, é o atual campeão paulista, montou uma empresa de suspensões (Pro-Design) que hoje é referência nacional e, o que é melhor, venceu a categoria N2Light nas duas primeiras etapas do Brasileiro, em Curitiba (o Graciosa lá de cima), com um Palio 16V. Com um estilo limpo, que visto de fora as vezes parece até lento, mas é impressionantemente veloz, ele é daqueles que não machuca o equipamento, consegue acelerar sem passar do limite e vem somando pódios. Uma ótima aposta para retomar a tradição de títulos nacionais do estado, que andava meio sumida…        

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *