PARABÉNS ALONSO

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*** Pra não dizer que não falei de mais uma palhaçada proporcionada pela Ferrari, ai vai a íntegra da minha coluna publicada na edição impressa do Correio Braziliense de hoje…   “Ordens de equipe que interfiram no resultado de uma corrida são proibidas” Artigo 39.1 – Regulamento Esportivo do Mundial de Fórmula 1 (Fonte: FIA) “É ridículo”. Realmente é ridículo, senhor Fernando Alonso. Ridículo ser alçado ao alto do pódio sem ter feito uma ultrapassagem sequer. Ridículo, depois de tantos anos como única estrela da companhia, ter comportamento de menino mimado ao ver que, com o mesmo brinquedo, o colega faz muito melhor. Ridículo fingir que não houve nada e sugerir que o outro carro do time teve problemas. Ridículo ser o protagonista principal de um teatro do absurdo de quinta categoria. Em que a Ferrari, sempre ela, quis mudar inclusive o significado das palavras. Ou será que meu inglês é tão ruim assim? Eu ouvi claramente a frase. “Felipe, Fernando is faster than you. Can you confirm this message?” dita pelo engenheiro Rob Smedley, talvez uma das pessoas de melhor caráter do circo. Só não sabia que, em bom português, ela significava: “Felipe, deixe Fernando passar. Troque de posição com ele. Abra mão da vitória”.   A troco de quê eu, você, e os milhões de pessoas ao redor do mundo que acompanharam as 67 voltas do GP da Alemanha fomos submetidos a isso? Claro que a mensagem, dita como foi, pausadamente, cifrada, nada tinha a ver com velocidade, com ritmo de prova. Massa chegou a ter mais de três segundos de vantagem para o companheiro com pneus supermacios e, mesmo enfrentando dificuldades com os pneus duros, trocava voltas mais rápidas com o companheiro. Que apenas uma vez chegou a ter o outro carro vermelho realmente na alça de mira. E até onde eu sei, é talentoso e esperto o suficiente para lutar pela posição sem por tudo a perder numa só manobra. Ou será que Jenson Button e Lewis Hamilton são os únicos capazes de duelar de forma limpa, sem arrancar pedaços do carro um do outro? Porque se Sebastian Vettel abateu Mark Webber a meia-nau na Turquia, é um garoto de 23 anos que ainda não sabe o que realmente é brigar pelo título. Ainda tem muito a aprender. Mas a desculpa não cola com o asturiano.   Ah, mas é claro, Alonso está melhor colocado na classificação e nós entramos na segunda metade do campeonato, está explicado o novo capítulo de uma farsa que parecia enterrada naquele maldito domingo de 2002, quando Rubens Barrichello viveu situação semelhante num GP da Áustria de triste lembrança. Pois é, são agora 38 pontos de diferença, o líder Button tem 72 a mais que o brasileiro, e tudo o mais. Seria uma ótima justificativa, não restassem ainda 200 pontos em jogo. Matematicamente até Vitantonio Liuzzi e seus “magros” 12 pontos permanece na disputa pelo título. E essa mesma Ferrari aprendeu (ou deveria) que confiar apenas em um de seus pilotos é o primeiro passo para entregar a coroa de bandeja aos adversários, a não ser que você tenha num de seus carros um fora de série como Michael Schumacher. Foi graças ao trabalho conjunto de Massa e Kimi Raikkonen que conquistou o Mundial de 2007 e ficou a um ponto do de 2008.   Mas, espera aí, eu estava “sem entender”. A prova em Hockenheim é patrocinada por um banco. Banco este que, só por coincidência, é espanhol. E só por coincidência também passou a estampar sua logomarca nos carros de Maranello a partir desta temporada, e é parte da milionária engrenagem que levou Fernando Alonso à Ferrari. E por mais coincidência ainda, estava o presidente da egrégia corporação financeira nos boxes do time italiano, e um de seus subordinados foi ao pódio entregar os troféus aos primeiros colocados. Tem razão. A ocasião era boa demais para que um brasileiro intrometido estragasse a festa. Bela festa, aliás. Sorrisos amarelos, pedidos de desculpas de parte a parte, uma comemoração tímida da mais expansiva e latina das escuderias.   Era para ser a celebração da volta de Felipe Massa ao topo do pódio depois de comer o pão que o diabo amassou nas últimas três corridas. O coroamento mágico do dia exato em que, há um ano, ele via não só a carreira, mas a vida em risco depois do triste acidente no treino oficial do GP da Hungria. A prova cabal de que ele não apenas merece estar onde está como ainda é capaz de nos dar inúmeras alegrias. Para mim, que ainda sou do tempo de Senna x Prost, Piquet x Mansell, Jones x Reutemann, foi apenas a certeza de que a mágica que cercava esta Fórmula 1 não existe mais. Que uma corrida de kart, de F-Truck ou de qualquer outra modalidade pode ser muito mais emocionante e legítima. Enfim, que vença o melhor, desde de que pilote uma McLaren ou Red Bull…

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