Onde há fumaça, há fogo…

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Menos de uma semana depois de a Red Bull garantir os préstimos de Max Verstappen, também conhecido como filho de Jos, não dá para dizer que é exatamente uma surpresa sua efetivação como titular da Toro Rosso em 2015, tornando-se assim o mais jovem piloto da história a estrear no circo e batendo a marca de Jaime Alguersuari – será o primeiro em mais de seis décadas a fazê-lo sem idade para dirigir nas ruas, vejam só. Mas é uma consequência natural do que expliquei no post anterior (“Baby boom nas pistas”). Talvez menos pela idade que, a bem da verdade, assusta, mas pelo fato de que muito simulador e a orientação correta valem hoje tanto ou mais do que a passagem pela GP3, GP2 ou Renault World Series. A atual geração de prodígios não tem qualquer medo ao dar saltos como os do kart à F-3 e dela à F-1 – além de tudo fica muito mais barato, pois se economiza anos e anos de preparação nas categorias de formação.

Por outro lado, a longo prazo, é quase uma sentença de morte para as séries de suporte à F-1, especialmente a GP2. De que adianta pagar US$ 2 milhões por ano para se “aclimatar” às trocas de pneus, à cavalaria abundante e aos procedimentos típicos da F-1, se aparece um menino capaz de queimar todas as etapas e dispensar tamanho investimento? Só me estranha o fato de o holandesinho de 16 anos ser “apenas” o vice-líder do Europeu de F-3 – o francês Esteban Ocon, embora tenha feito trajetória mais convencional, tem, na teoria, a mesma condição de fazer bonito, e também o italiano Antonio Fuoco, protegido da Ferrari, ou seu compatriota e xará Antonio Giovinazzi. Alguém duvida que Max Verstappen, quando de seus primeiros treinos oficiais, em Melbourne, ano que vem, vai se sentir um peixe dentro d’água de cara, com tempos competitivos e tranquilidade de veterano? Volto a dizer que alguns aspectos da formação do filho de Jos me incomodam, especialmente se for verdade (e parece que é) que o pai foi excessivamente agressivo e manteve a disciplina do herdeiro na base dos gritos e coisa pior. O grande teste não será mostrar maturidade para domar 750cv, Kers, ERS e outras coisas mais. O desafio será, pela primeira vez, lidar com um ambiente bem menos “amável” que o familiar, em que tudo era do bom e do melhor; encarar possíveis críticas dos adversários e lidar com a rivalidade de um certo Daniil Kvyat que chegou com 20 anos nas costas, mas sem alarde cavou seu posto com merecimento.

Só para descontrair, um conselho aos pais: arranjem alguma coisa motorizada para seus pequenos com dois, ou três anos de idade, que o velocípede só não basta. Se o sonho é ter um piloto de ponta na família, melhor treinar muito, e desde cedo…

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