OLHOS BEM ABERTOS…

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Falar em China é inevitavelmente usar superlativos. Tudo é gigantesco, exagerado, difícil de medir. Mas a história singular da potência asiática fez com que bicicletas e ciclomotores (quando não os animais, nas imensas planícies ou regiões montanhosas) fossem os veículos mais usados, especialmente quando a lógica comunista era aplicada a ferro e fogo também na economia. Os tempos agora são outros e, embora politicamente a orientação continue, a ordem é crescer, se desenvolver, ganhar mercados. E, com uma população que experimenta um salto na condição de vida, não é de se estranhar que o automóvel tenha ganho tanto espaço. Ainda ontem o que havia de mais moderno por aquelas paragens era uma versão do nosso VW Santana, por aqui há muito elevado à condição de carroça.

Pois basta ler qualquer noticiário sobre carros, se informar sobre um salão em qualquer parte do mundo e lá estará uma marca chinesa de nome e procedência desconhecidos lutando pelo seu espaço e apresentando sua nova criação. Os mais sérios fazem como se deve: encomendam um projeto a um escritório renomado de design, assinam acordos com montadoras ocidentais (quando não as compram, como a Geely fez com a Volvo) e produzem novidades. Os demais se valem da pirataria descarada. Por vezes nem se dão ao luxo de mudar cores ou detalhes – fica até difícil distinguir original e cópia.

Toda essa introdução para falar sobre um gigante que finalmente está despertando para o esporte. A China que sempre produziu ginastas, halterofilistas e nadadores (sob a sombra da suspeita em muitos casos, é verdade), começa a acordar para uma modalidade tipicamente ocidental, e não será surpresa se se transformar no grande celeiro de campeões nas próximas décadas – o que não falta é gente capaz de fazer bonito nas pistas e dinheiro para financiar tais aventuras.

Senão vejamos: hoje já são três circuitos internacionais – o pioneiro Zhuhai, construído na década de 1990; Xangai, inaugurado em 2004 com todo o seu gigantismo para receber o circo da F-1 e o novo traçado de Ordos, além das várias iniciativas em pistas de rua (a decisão da DTM se deu nas ruas de Xangai, ainda que sob críticas de vários pilotos à qualidade da pista). E além de F-1 e DTM, a F-Superliga (aquele campeonato disputado por alguns dos principais times de futebol do planeta, que está muito próximo de aportar no Brasil) e a Intercontinental Le Mans Cup, nome da nova série de resistência criada pelos organizadores das 24h de Le Mans incluíram a China na temporada recentemente terminada.

Mas não é apenas receber e aplaudir os feitos dos estrangeiros. Pouco a pouco vem surgindo a primeira geração de pilotos capazes de brigar por boas posições em qualquer um destes campeonatos. Nascido na Holanda, mas de pais chineses, Ho Pin-Tung está muito próximo de fazer história na IRL – testou com a equipe Fazzt em Sebring e está entre os apadrinhados da Gravity Management, a mesma que é sócia majoritária da Renault F-1 por meio da Genii Capital. No próprio DTM, Cheng Cong Fu é um dos representantes da Mercedes. No próximo Rali Dakar, entre os carros, serão nada menos que seis: Kun Liu, Yaohuan Jiang, Hongzhi Quo, Yuande Zhou, Jun Kun Ma, Ningjun Lu (o dobro da participação brasileira), com direito a modelos “made in China”, como Chery ou Great Wall. E é apenas o começo. Por essas e outras que é bom abrir os olhos. Pelo visto, muito em breve outro vermelho, além do da Ferrari, será sinônimo de sucesso pelos autódromos e estradas do mundo. Alguém duvida?

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