Olha quem reapareceu: a coluna

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A temporada da F-1 começou com tudo na Austrália (olha que nem foi necessário qualquer acidente ou algo fora do comum que não fosse a chuva para garantir a emoção) e, com ela, está de volta a Coluna Sexta Marcha. Companheira fiel da cobertura dos 19 GPs no caderno Superesportes do Estado de Minas; espaço para falar, lógico, do circo, mas também do que mais merecer destaque sobre quatro rodas. E se você está longe das Minas Gerais, ou por acaso não tem acesso ao jornal, pode encontrá-la aqui, prestigiá-la neste espaço, concordar, discordar, palpitar… nunca é demais agradecer pela leitura, espero que você curta…

Momento… de incerteza

Momentum s. 2. (fis) momento, quantidade de movimento. Taí um termo cuja tradução para o português não consegue resumir tão fielmente seu sentido quando o assunto são as corridas, mas é o que melhor explica o desafio de andar pelos 5.303m do Albert Park, em Melbourne. Não há respiro nem para os pilotos, nem para as máquinas e o segredo de um bom tempo é ter um carro que mude de direção com eficiência, salte de uma zebra para a outra, desenhe uma trajetória limpa, ainda que os muros estejam próximos e convidativos, o que na temporada só encontra similar em Montreal. Não há retas absurdamente longas, freadas fortes e retomadas de velocidade que premiem a tração, o equilíbrio na hora de reacelerar.

E falar que as 58 voltas foram de deixar os olhos arregalados na madrugada talvez seja pouco diante do que se viu. Já disse, neste espaço, que se prever o desfecho de uma temporada na F-1 fosse o meu forte, eu teria ganho milhões nas casas de apostas, mas a cada ano me convenço do contrário, mesmo porque na 63ª edição do Mundial acertar os ocupantes do pódio será tão fácil quanto cravar os seis números da Mega-Sena da virada, aquela com tantos zeros à direita capaz de enlouquecer o mais ajuizado dos mortais.

Senão vejamos: dois treinos passaram a impressão de que mais uma vez a Red Bull era o carro mais equilibrado, que na pré-temporada apostou no sandbagging (olha o inglês de novo aí, gente…), o tradicional esconder o jogo – não é a tradução literal, mas é a mesma coisa. A RB9 continua tendo desempenho modesto nas retas e nas curvas ganha asas, tanto assim que monopolizou a primeira fila do grid.

Largada pífia de Mark Webber à parte, qual não foi a surpresa ao ver Sebastian Vettel na alça de mira de Massa, Alonso, Raikkonen; incapaz de estabelecer uma vantagem digna – e olha que muitos juravam que o agora tricampeão só sabe brilhar quando está na frente. Mais uma vez Adrian Newey vai ter que remar até entender como fazer a “faminta Heidi” (apelido que o craque de Heppenheim deu ao seu brinquedo novo) deixe de ser tão faminta com os pneus. E qual não foi a surpresa de ver uma Ferrari que ano passado procurava desesperadamente por pressão aerodinâmica com uma máquina equilibrada, capaz de permitir uma corrida de ataque tanto de Massa quanto de Alonso. Aliás, vai um parêntese para a corrida do brasileiro. Veloz, constante, agressivo, capaz de gerir tão bem os pneus que acabou traído por isso (e teve a humildade de admitir que o pulo do gato do companheiro nada teve a ver com ordens de box ou coisa do tipo). Esse Massa promete, parece que ele reencontrou mesmo o manual de instruções para andar na frente e desta vez não quer perdê-lo.

E isso porque ainda não falei de Hamilton, Rosberg, Sutil e do vencedor do GP. Que Kimi Mattias Raikkonen é um senhor piloto, nenhuma novidade. Que seria capaz de levar um carro da terceira fila ao topo do pódio fazendo exatamente o que a Pirelli previa (dois pitstops), não era tão certo assim. Porque, especialmente num cenário tão equilibrado, dependia de uma pilotagem fina – ironia das ironias para alguém que passou dois anos derrapando ralis afora – de um carro gentil com a borracha – e de uma condição de pista favorável. E desta vez o coitado do engenheiro nem precisou falar, com certeza ele sabe do que seu pupilo é capaz. O melhor de tudo é que o circo fez as malas correndo para a Malásia e, por vários motivos (temperatura, compostos de pneus, pista que favorece a tração), tudo pode ser diferente em Sepang. Alguma dúvida de que valerá a pena ficar diante da TV em mais uma madrugada?

Classe de 2013

Muito se falou do finlandesinho Valtteri Bottas, sua trajetória nas categorias de base realmente chamou a atenção mas, para quem teve o luxo de andar em quase todas as pistas nas manhãs de sexta-feira “roubando” uma hora e meia de treinos e Bruno Senna, a estreia foi mais que discreta. Dos cinco recém-chegados, quem realmente se mostrou acima da média foi Jules Bianchi, que deixou o companheiro Max Chilton falando sozinho e surpreendentemente foi bem mais rápido do que as Caterhams (e foi o dono da melhor volta com os pneus supermacios, dá para acreditar?). Como é o único parâmetro digno de comparação, mostrou que tem tudo para ir longe.

Bom de contas, ruim de carro

“Somei dois pontos e, se não errei nas contas, cheguei aos 1.001 na carreira. O que não alivia a sensação incômoda de que temos que trabalhar muito até que nosso carro seja realmente competitivo.”

Jenson Button (McLaren), que venceu três vezes na Austrália e se limitou a um incolor nono lugar

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