NECESSIDADE OU EXAGERO?

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Há um fenômeno recente no automobilismo brasileiro que chama a atenção e merece ser analisado. De uns tempos para cá, se tornou moda os aspirantes a campeão (em especial os mais endinheirados) contratarem os serviços de um piloto com currículo recheado e experiência para dar e vender (no caso vender…) para ajudá-los na adaptação aos carros de fórmula e mesmo ao kart, ensinando macetes, manhas e tentando agilizar o processo. Nada contra, especialmente porque quem recebe tal tipo de convite normalmente não teve as oportunidades merecidas e encontra uma forma de engordar o orçamento, ou financiar a participação em algum campeonato. São feras como Rubem Carrapatoso (campeão mundial de kart), Sérgio Jimenez, Júlio Campos ou Dennis Dirani.

Só que me parece consequência de um sistema que pressiona e exige dos novatos resultados cada vez mais imediatos. Houve uma época em que se aprendia na marra, às custas de talento, trabalho e curiosidade. Principalmente em terras distantes, nas quais a cultura e a barreira da linguagem tornavam tudo mais difícil. E que errar ou enfrentar dificuldades no começo eram coisas normais. Me lembro bem que Bruno Junqueira largou no fundo do grid de sua primeira corrida na F-Chevrolet, em Goiânia. E Clemente Jr. assim que teve o primeiro contato com um F-3, rodou na saída dos boxes em Campo Grande, sendo motivo de risadas para os mecânicos da equipe Cesário. Algo mais do que normal para quem passa dos 20, 30 cavalos de um kart para 200, 250, com direito a asas, câmbio e tudo o mais. E vejam até onde os dois mineiros chegaram… Numa época em que os recursos à disposição do piloto são bem maiores e a pilotagem, se pode ser dito dessa forma, bem mais fácil (ou menos trabalhosa), não será um erro apostar nessa “condução a quatro mãos”? É algo a se pensar…

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