Nau sem rumo…

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A segunda principal categoria de monopostos do planeta vive momentos complicados. Bem verdade que o acidente que provocou a morte do inglês Dan Wheldon fez com que pilotos, equipes e organizadores revissem muitos conceitos, mas vai bem além disso. Quando Champcar e IRL se transformaram numa coisa só, em 2008, muitos imaginavam que seria garantia de sucesso sem precedentes, que voltaríamos a ver disputas tão ou mais emocionantes que as da F-1, já que os melhores estariam reunidos sob o mesmo teto (e quando se diz isso logo vêm à mente Penske, Ganassi, Andretti, Newman-Haas; Franchitti, Power, Briscoe, Kanaan, Dixon, Servia, só para ficar em alguns exemplos).

Depois de muito postergar, finalmente chegou o momento de trocar o venerável chassi Dallara de 2003 pelo DW12, que já havia sido pensado para oferecer bem mais proteção aos pilotos, mas infelizmente não chegou a tempo de impedir a catástrofe em Las Vegas. Com isso, chega ao fim o monopólio de motores da Honda.

Só que… só que os primeiros testes com a nova máquina mostram um conjunto de difícil acerto – quem andou disse não se sentir à vontade ou capaz de encontrar regulagens adequadas a seu estilo. Os motores são muito mais pesados do que o previsto e, ainda por cima, com soluções distintas. A Honda aposta em um só turbo; a Chevrolet em dois, e a Lotus, que repassou a John Judd a missão de projetar e construir seu propulsor, está muito atrasada. Os patrocinadores, que já não eram muitos e fortes, escasseiam em velocidade ainda maior e muitos times se mostram reticentes em comprar novos carros sem dispor do orçamento total, como mostra o canadense Paul Tracy, que conta com US$ 2 milhões (cerca de metade do necessário para o ano todo) e não encontra alguém disposto a acolhê-lo.

E quem poderia imaginar que, depois de três décadas, a Newman-Haas fizesse o caminho inverso e, depois de saltar da Can-Am para a Indy, decidisse apostar na American Le Mans Series? A Conquest começa a seguir caminho semelhante e muitos pilotos que teriam lugar fácil na categoria começam a enxergar outros horizontes, especialmente em tempos de volta do Mundial de Endurance. O calendário saiu com 15 provas, mas pode ter “16 ou 17”, segundo o próprio CEO da categoria, Randy Bernard, que queria fazer na Indy algo semelhante ao que fez nos rodeios, até que a triste realidade da corrida que não houve na capital do jogo mostrasse que a coisa é bem mais séria. E o diretor-tecnico Brian Barnhart é alvo de críticas de todos os lados, supostamente por perseguição a alguns pilotos e falta de critério nas punições. Pra completar o resumo da ópera, não há tantos pilotos europeus de nome interessados em atravessar o oceano – um Raikkonen, um Barrichello ou Bruno Senna certamente ajudariam a aumentar a visibilidade do campeonato, que sofre à sombra da Nascar.

Que teremos temporada, não há dúvidas. Que a categoria passará por 2012 caso o mundo não termine, também. E que a decisão de varrer do mapa os ovais de 1,5 milha, considerados perigosos por todos, foi a mais correta, também. Mas que a Indy pode ver sua importância redimensionada e perder ainda mais espaço, não custa. O que seria uma pena quando se volta um pouquinho no tempo e vêm à mente os nomes de Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell, Mario Andretti, Al Unser Jr., Bobby Rahal, Cristiano da Matta, Jacques Villeneuve, Juan-Pablo Montoya, Michael Andretti, Dan Wheldon…

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