Na terra do Eisbein – Coluna Sexta Marcha Estado de Minas/Correio Braziliense

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Aqui está ela. Para os leitores do Correio Braziliense, nenhuma novidade, já que, desde abril de 2010, é sinônimo de segunda-feira pós-GP de Fórmula 1. Pois o mesmo texto, aproveitando a sinergia entre os dois jornais, ambos parte dos Diários Associados, chega agora ao Estado de Minas. Mas quem, por acaso, não tem acesso a um e a outro, pode ler aqui as mal traçadas linhas sobre o que se passou em Nurburgring… que são as que seguem abaixo…


Na terra do Eisbein

 Meninos e meninas, moços e moças, senhoras e senhores, eu vi. Vi e experimentei sons, cheiros, sabores de um lugar mágico chamado Nurburgring. Tem um tempinho, é verdade, mas pouca coisa mudou desde então. Você sai de Frankfurt rumo a Colônia e, no caminho, nenhuma placa. Sai da autobahn rumo a uma estrada secundária e… nenhuma placa. Passa por algumas das pequenas cidades que, em tempos de corridas, se transformam em dormitórios.

Quando está a pouco mais de cinco quilômetros do circuito, começa a surgir uma referência aqui, outra ali. Mas a certeza de que se está no caminho certo (ao menos antes da invenção do GPS) vinha com uma constatação de arrepiar. Quando menos se espera, olha-se à direita e há o que parece ser

outra estrada. Na verdade, é um trecho do lendário Nordschleife, o traçado de 23 quilômetros, 156 curvas, tomado por torcedores que acampam nas imediações, instalam seus trailers dias antes, para começar uma festa que só termina no domingo à noite.

Sim, porque ver de perto um GP em Nurburgring é derrubar por terra qualquer impressão de que os alemães são sisudos, sérios, pouco afeitos a uma comemoração. Podem ser sistemáticos, metódicos, mas fazem um barulho dos diabos quando o assunto é incentivar seus ídolos. Haja buzina, e haja bandeira. Haja cerveja e gulodice nas barracas montadas em torno do circuito. Por absoluta ignorância linguística, apelei, por mímica, para a pizza na terra de einsbeins, kasslers e outras especialidades impronunciáveis. Mas acabei brindado com um “lanche” no domingo antes da prova, que só poderia mesmo ser coisa de Nurburg e adjacências: um caprichado ensopado de carne de porco com batatas, que combina bem com o clima frio, primo-irmão do de Spa-Francorchamps, que, afinal, não está tão longe.

As estrelas do espetáculo ficam no Hotel Dorint, aquele no início da reta dos boxes, logo à frente da sala de imprensa – mais bem localizado, impossível. E a entrada na pista é de impressionar. Para onde se olhe, arquibancadas lotadas, estacionamentos lotados. Mas, a bem da verdade, a pista não era de despertar grande emoção nos pilotos, especialmente em tempos de ultrapassagens rarefeitas. As curvas longas e velozes que desaguam nas retas pouco extensas não são combinação das mais atraentes. Havia a chicane NGK – sim, aquela em que, ontem, praticamente todos passaram do ponto de freada, e onde era possível tentar alguma coisa. E só. Até que, em 2002, Hermann Tilke, o arquiteto oficial do circo, finalmente acertou uma, ao criar uma sequência de curvas travadas com várias trajetórias possíveis no primeiro setor da pista. Aí a coisa melhorou, e muito.

Não deixa de ser curioso que, numa pista desenhada sob medida para as Red Bulls – sabidamente o carro mais rápido nas curvas, embora a velocidade nas retas sempre fique devendo – tenha levado a melhor a instável McLaren, nas mãos do outrora estabanado Hamilton. A bem da verdade, nem mesmo os engenheiros do time de Woking sabem como o carro se transfigura em questão de dois dias. Na sexta-feira, patinava. Ontem, foi perfeito ao poupar os pneus. Tudo bem que Fernando Alonso se encarregou de animar as 60 voltas, que Vettel teve um raro fim de semana desafinado – ainda precisa apenas terminar todos os GPs em sétimo para ser bicampeão –, mas, no fundo, quem tomou a ponta na largada a manteve até o fim, estratégias à parte. Houve as brigas ocasionais, mas os lances mais emocionantes se deram quando um dos líderes deixava os boxes, e o rival dividia a primeira freada. E um alemão não venceu? Certamente não foi motivo para aguar o chope das milhares de pessoas que fizeram a peregrinação anual à meca germânica da velocidade. Domingo que vem tem mais.

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