NA TERRA COMO NO ASFALTO

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Mudam os tempos, muda o percurso, muda o continente, mas, desde que o Dacar é o Dacar, o desafio de superar desertos e imensidões de areia e pedras atrai pilotos formados no automobilismo de pista. Talvez fosse o caso de gastar vários posts para lembrar de todos, mas não dá para esquecer de Jacky Ickx (que venceu a prova com um Porsche e, anos depois, dividiu o comando de um “modesto” jipe Toyota com a filha Vanina, de quem já falei por aqui); Clay Regazzoni, Henri Pescarolo, do bicampeão mundial de Turismo, Yvan Muller; Jacques Laffitte; do japonês Ukyo Katayama, da alemã Ellen Lohr e, do mais bem sucedido deles, Jean-Louis Schlesser, injustamente lembrado como “o estreante maluco da Williams que impediu a vitória de Ayrton Senna no GP da Itália de 1988”, mas que também foi campeão mundial de esporte-protótipos e, no maior rali do mundo, venceu duas vezes (1999 e 2000) com seus buggys feitos em casa. Você talvez haverá de lembrar de Robby Gordon, mas o maluco norte-americano fez o caminho oposto, ganhando notoriedade ao vencer as provas de Baja para, então, optar pela Cart, IRL e Nascar.   Isso posto, a edição de número 33 da maratona fora-de-estrada se mantém fiel à tradição. Não custa lembrar que todos os citados (e os esquecidos também), especialmente os que conseguiram concluir edições, vencer estágios ou até mesmo o rali, foram obrigados na marra a mudar completamente o estilo de pilotagem e a encarar com humildade os obstáculos do caminho. Nada de “acelera, quarta, quinta, sexta marcha, freia na placa de 100m, reduz de sexta, para quinta, para quarta, terceira e aí por diante”, volta após volta. Na África ou na América do Sul, cada quilômetro cronometrado é um salto no desconhecido. Você nunca passou por ali e, além de confiar muito no que diz o navegador (outra novidade para quem se acostumou a andar sozinho), tem que torcer para que as referências no livro de bordo estejam certas.   Este ano, serão seis representantes deste grupo especial dignos de nota. O chileno Eliseo Salazar (tá certo, aquele que apanhou de Nelson Piquet no GP da Alemanha de 1982) será parceiro de Gordon. Outro com passagem pela F-1 é Norberto Fontana que, a exemplo dos compatriotas Emiliano Spataro, Jose Luis Di Palma e Juan Manuel “Pato” Silva (todos com passagens pela F-3 Sul-Americana e sucesso nas categorias top argentinas) e do holandês Tim Coronel, resolveu apostar no caminho mais difícil. Vão encarar os 9.500 quilômetros a bordo de um buggy criado por Alister McRae, irmão do saudoso Colin, em que não há lugar para o passageiro. É como se corressem de moto, só que sobre quatro rodas, já que terão de pilotar, navegar e controlar o funcionamento da máquina, Algo com certeza muito mais difícil do que tudo o que já enfrentaram no asfalto. Se brigar por posições a 300km/h já não é coisa para muitos, o que dizer então de quem resolve enriquecer o currículo acelerando no meio do deserto?    

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