MODÉSTIA ÀS FAVAS, PARTE 626…

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“Até eu ando mais rápido”. Foi o que eu ouvi, de um grupo de torcedores que acompanhavam de um morro nas redondezas, quando desci do valente Corsinha na quarta prova cronometrada do Rali de Ouro Branco do ano passado, pouco depois que uma luzinha vermelha se acendeu no carro e o cabeçote fundiu, exalando uma fumaceira desanimadora. A estreia não terminou como eu esperava, a segunda prova mal começou e a terceira foi encurtada quando um buraco levou a melhor sobre o amortecedor dianteiro direito, já do Palio. A hora tinha que chegar… Quem acompanha o rali de perto deve ter ideia de como é difícil algo que parece básico – terminar uma prova, e andar rápido como o menino do morro diz que consegue.

Além de todas as dificuldades do percurso, do piso escorregadio que convida a escapadas a cada curva, das lombadas escondidas, das panes que aparecem na cabeça do piloto e do navegador, tem a mecânica. O carro é preparado, reforçado, mas um pneu furado na hora errada pode pôr tudo a perder. “E tem hora certa para furar pneu?” você pode estar perguntando… O pior é que tem. Quando encostei o carro depois das duas primeiras provas cronometradas, vi que o dianteiro direito estava esvaziando. Numa eficiência digna de Fórmula 1, a turma da equipe Marinelli Team fez a troca, aproveitou e descobriu que uma das pastilhas de freio estava quebrada e o amortecedor com problemas. Em questão de minutos o carro estava pronto de novo para o combate.

Mais uma subida e uma última subida me separavam do paraíso. Montanha acima tudo bem. Restavam 15 quilômetros. E quem disse que dá para administrar o ritmo e descer passeando. Imaginava que fosse exagero quando os pilotos realmente do ramo dizem que fazer isso é o primeiro passo para perder a concentração. O Palio terminou com a lateral esquerda amassada, mas terminou. E eu completei o primeiro rali, em Rio Acima, rindo de orelha a orelha. Ainda tenho que melhorar muito, reconheço que cada prova será um aprendizado, mas essa satisfação ninguém me tira. Quando a classificação do Mineiro for publicada, meus cinco pontinhos estarão lá, na categoria N2. E com eles toda a experiência, a confiança que a primeira missão cumprida traz. Não teve troféu, mas nem precisava. Cada curva, cada reta, cada bandeirada são momentos inesquecíveis, de quem conseguiu viver a paixão pelo automobilismo em primeira pessoa. Dá para definir numa palavra só? Sim: incrível…

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