Menos, Rubinho, menos…

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O leitor habitual do blog se lembra dos elogios que fiz a Rubens Barrichello em seus dois anos pela Williams, impressão confirmada em Interlagos, acompanhando o que seria o último final de semana do piloto no Mundial de Fórmula 1. Assim que se deu conta de que não teria equipamento para brigar por vitórias, passou a se divertir, fez muito mais do que o limitado carro permitia, não teve medo de ser espremido por Michael Schumacher na reta de Hungaroring e acabou recebendo manifestações de carinho e solidariedade de todo o grid. Correu atrás, teve a ajuda do amigo/irmão Tony Kanaan, a autorização da mulher Silvana para andar nos ovais, garimpou patrocinadores e, na Indy, deu início a uma nova fase na carreira, pela KV Racing.

Passadas 12 corridas, mostrada uma competitividade até razoável para um estreante, por mais que seja um estreante quarentão, Rubinho resolveu trazer à tona um lado de sua personalidade que andava sumido. Disse que a temporada foi comprometida pelas limitações do equipamento, dá toda a pinta de que pretende fazer as malas da KV para uma equipe com propulsores Honda (engraçado é que os Chevrolet, como o dele, ocupam os três primeiros postos no campeonato) e, como se fosse necessário, deixou claro que não fez melhor porque anda pela primeira vez em todas as pistas, enquanto os rivais conhecem cada quilômetro com os olhos vendados.

O que mais chama a atenção é Rubinho se perder na questão da estratégia e do consumo de combustível, já que tem mostrado que não sabe economizar etanol  como deveria. Em vários GPs foi obrigado a parar nas voltas finais para um splash and go, jogando por terra uma posição entre os cinco primeiros. Basta perguntar para alguém com experiência no campeonato (curiosamente os mineiros Cristiano da Matta, Bruno Junqueira e Rafa Matos eram considerados dos mais eficientes na arte de acelerar sem gastar) e a receita vem simples.

Infelizmente o Rubinho humilde, sem pressão, consciente da Williams parece ter desaparecido em pouco mais de meio ano. Não custa lembrar que a KV era das poucas opções possíveis para correr nos EUA e, se ainda não venceu, está longe de ser um time limitado. Parece que estamos de volta aos tempos em que “só não venci porque a Ferrari tinha claramente uma escolha”, ou frases do gênero. Sinceramente, as palavras do brasileiro na entrevista à revista britânica Autosport eram as últimas que eu imaginava. Tomara que ainda seja tempo de voltar ao vocabulário de 2010 e 2011…

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