Massa com batata… assando

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Que o torcedor italiano e também a imprensa do país da bota são apaixonados e passionais ao extremo você pode imaginar, ainda que acompanhe o que se passa por aquelas bandas de longe, de vez em quando. Pois a imagem usada por Fernando Alonso para descrever o que foi o GP da Austrália para a Ferrari (um copo d’água cheio pela metade) acabou se tornando ponto de partida para um inflamado editorial pedindo a cabeça de Felipe Massa. Não se trata de imprensa marrom, de qualquer jornaleco de província ou blog livre das amarras de censuras, trata-se da mais importante revista automobilística do país, que tem rival apenas na inglesa Autosport quando se pensa em relevância mundial. E saiu da pena do diretor Alberto Sabbatini, filho de Marcelo Sabbatini que, há exatos 51 anos, tomou para si a missão de criar, do nada, um periódico que alimentasse o amor dos italianos pela velocidade, com circulação semanal e nas bancas da terra dos tifosi já hoje à noite – acompanhar o trabalho dos enviados especiais da Autosprint a cada GP é uma aula de jornalismo, posso garantir.

Pois Sabbatini foi além da imagem brilhantemente usada pelo espanhol em seu perfil no Twitter e, de tamanha indignação, publicou o editorial que está na revista também em seu blog, e pede providências rápidas. Para o colega, a metade vazia do copo se chama Felipe Massa. O pior é que poderia ser o caso de atirar pedras, de clamar pelo absurdo, mas são palavras com um bocado de razão.

“O brasileiro é um caso à parte, desastroso no treino oficial e embaraçoso na corrida. No ano passado tinha a desculpa de que não conseguia aquecer adequadamente os pneus, agora ocorre o contrário, os destrói em poucas voltas. Olhando assim, Felipe é inútil para a equipe, não soma pontos para o Mundial de Construtores, não aproveita quando o ‘capitão’ comete erros. Massa é a sombra pálida do belo piloto de um tempo, raçudo e veloz numa volta de qualificação. É triste dizer, mas não há como negar a evidência: aquele piloto não existe mais desde agosto de 2009. Algo ocorreu e apagou a luz do talento. A Ferrari já lhe deu tantas oportunidades, mas deve decidir apressadamente se quer perder mais uma temporada ou ainda pretende brigar pelo Mundial de Construtores.Para fazê-lo, é preciso contar com alguém consistente e rápido ao lado de Alonso. Deve ter coragem de cortar o cordão umbilical com Massa. Não no fim do ano, mas imediatamente, ou no máximo em algumas semanas. Maranello afirma não haver alternativas no mercado, mas vejo duas, concretas e descomplicadas – dois nomes treinadíssimos e sem vinculos contratuais complicados, o mexicano Sérgio Pérez, que do último lugar no grid terminou em oitavo na Austrália, superando o brasileiro, ou Jarno Trulli, acostumado a sofrer e a desenvolver carros”.

Questionamentos patrióticos à parte (Giancarlo Fisichella também seria o piloto perfeito para substituir o paulista depois do acidente em Budapest e foi um desastre no comando do carro vermelho), é difícil discordar. Ainda que com problemas, com dificuldades técnicas, Felipe há dois anos não é capaz de mostrar nem sequer um lampejo de sua habilidade. E depois de tantos deslizes, é complicado esperar que ele repita 2008, quando começou mal, venceu no Barein e deu início a uma recuperação sensacional que o deixou a um ponto do titulo, com direito à trapalhada da equipe em Cingapura. Àquela época a pressão era bem menor, todas as atenções estavam focadas em seu então colega, Kimi Raikkonen, campeão mundial, e o carro nasceu muito melhor. É até crueldade, mas seria o caso de acrescentar um terceiro nome que, no estado de ânimo atual e sem vaidades de título, como vinha sendo o caso na Williams, foi capaz de fazer bem mais. Sim, Rubens Barrichello. Por mais que Massa negue, que tente aparentar tranquilidade, só mesmo uma atuação digna dos grandes tempos (algo como Turquia 2007 ou Interlagos 2008) para dar fim à espiral negativa. E no andar atual da carruagem, não se trata apenas da sobrevivência na Ferrari, mas do fim de um ciclo na F-1. A continuar assim, nem é necessária a sombra de Robert Kubica planando sobre o F2012. A pior forma de se tornar nº2 é não mostrando qualquer esboço de perigo ao companheiro de equipe e não fazer nem o mínimo com um carro que não é lá essas coisas… Tomara que ainda dê tempo, mas é difícil…

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