MASSA AINDA TEM CRÉDITO…

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Eu estava entre as dezenas de jornalistas que aguardavam pela entrevista coletiva dos três primeiros do GP Brasil de 2008, em Interlagos, e vi Felipe Massa entrar na sala chorando, recebendo todo o tipo de manifestação de solidariedade de muitos que queriam vê-lo campeão (para quem não se lembra, ele chegou a ter a taça nas mãos por alguns segundos, até que Timo Glock perdesse a posição para Lewis Hamilton, na subida do Café). Nem precisava, mas tive certeza da maturidade de um menino que começou na F-1 de forma meio atabalhoada, e provou que é um dos grandes. Começou a vencer não porque alguém determinou, mas porque foi melhor do que outros. Lutou de igual para igual com Kimi Raikkonen e nem por isso os dois saíram arrancando pedaços do carro um do outro. Brigou, até quando pôde, com adversários como o próprio Kimi, Lewis Hamilton, Alonso.

Por essas e outras, me recuso a encarar o episódio de domingo passado como um simples repeteco da Áustria’2002, ou compará-lo com Rubens Barrichello. Rubinho sabia com quem estava lidando e nunca conseguiu (por mérito do alemão ou decisão da Ferrari, sabe-se lá), ameaçar a supremacia de Michael Schumacher. Massa não o fez porque ainda aprendia, se acostumava com o ambiente da Scuderia. Assim que pôde voar por conta própria, mostrou do que era capaz. Errou em alguns momentos, jogou fora bons resultados, mas cresceu, ganhou pontos no coração dos ferraristas. A ponto de ser preferido na hora de escolher quem seria o companheiro de Alonso – milhares de torcedores italianos defenderam a decisão, alegando que o finlandês, embora campeão, parecia desinteressado, pouco comprometido, enquanto o paulista lutava até o fim…

Continuo fã de Felipe, mas é difícil acreditar na afirmação de que nunca será um número 2. Nem tanto por presumidas ordens de equipe, mas por fatos de pista. Para ser o preferido, ter chance clara de vitória, é necessário superar o companheiro de equipe desde os treinos, o que ele não fez. É preciso não sofrer ultrapassagens como a do GP da China, na entrada dos boxes. Ser constante mesmo em condições adversas, como o momento de andar com os pneus mais duros. E ter tantos, ou mais pontos que Alonso, com ou sem sorte na jogada. Aí entre o “se”: “se tivesse tido mais paciência para superar Michael Schumacher no Canadá; se tivesse optado por uma largada mais conservadora em Silverstone, fugindo justamente do espanhol”. O se não joga, mas ajuda a explicar certas situações, por piores e mais revoltantes que sejam. No meu conceito Massa perdeu muitos pontos, mas ainda tem crédito. Como será lembrado pela torcida só depende dele, de suas escolhas, mais até do que dos resultados… Com a bola (ou com o volante), o piloto da Ferrari número 7.

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