MÃOS AO ALTO… OU MÃOS NO BOLSO…

Publicado em Sem categoria

Sei que o tempo é de esperança, de previsões positivas, de expectativas boas para mais um ano, que já está parado no grid aguardando pelo apagar dos sinais vermelhos, mas não dava para deixar passar batido: fica cada vez mais claro que poucos, e não necessariamente os melhores, serão os eleitos para chegar ao topo. Os que, por exemplo, tiverem a sorte de contar com o suporte de todo um país – caso do venezuelano Pastor Maldonado, que dá merecidamente o salto mas, se não fosse movido aos petrodólares chavistas, não estaria onde está. E a tendência é dar espaço a representantes de mercados emergentes e inexplorados, o que me leva a crer que nos próximos anos, teremos uma onda de chineses, indianos, cataris, sul-coreanos, russos. Nada contra, muito pelo contrário, mas o número de cadeiras na dança é limitado e as circunstâncias (não apenas o dinheiro, que fique bem claro) acabam pesando mais do que o talento.

Como considerar, por exemplo, que uma temporada com os novos carros da GP2 não sairá, pelos preços atuais, por menos de 2,5 milhões de euros?  Isso mesmo caro leitor, R$ 5,5 milhões, pelo câmbio do dia. Por mais competente que seja o piloto, dá para imaginar uma empresa assinando um cheque tão polpudo apenas… para ter a chance de aparecer na ante-sala da F-1, e mesmo assim sem a garantir de contar com o melhor equipamento? É coisa mesmo para Red Bulls, ou as “Driver Academies” que restaram. Pelo visto, cada vez menos acompanharemos pequenos prodígios dizendo “meu sonho é chegar à F-1”. Os pais, primeiros incentivadores, já devem ter cortado o barato há muito tempo. “Filho, se você sobreviver correndo de carro, já tá ótimo…”

Em tempo, o campeão mundial de rali de 2003, Petter Solberg, pôs à venda um dos Citroen C4 que usou nesta temporada. Preço: 500 mil euros, ou R$ 1,1 milhão. Detalhe: como se trata de um WRC, configuração que deixa de ser usada no Mundial em 2011, só poderá ser usado em alguns campeonatos regionais ou se transformar em peça de museu. E se não passar o possante nos cobres, o craque norueguês está arriscado a não conseguir comprar o DS3 com que pretende correr. Que custa a bagatela de… uns 450 mil euros… É mole?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *