Malas desfeitas e refeitas – direto da Espanha

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As malas (ou a mala, já que não foi tanta bagagem assim) para o Mundial de Endurance mal foram desfeitas e foi a hora de juntar as tralhas e embarcar para mais uma aventura sobre quatro rodas. O blog fala de Zaragoza, perto de onde está o Circuito Internacional de Zuera, o kartódromo de 1.700m que recebe, até domingo, a Copa do Mundo FIA KF2 (pilotos acima dos 15 anos, a grosso modo uma GP2 do kart) e a KF3, para pilotos até os 15. Um vestibular para os campeões do futuro com nada menos que 183 inscritos de 34 países, e o que há de melhor de marcas como Birel, Tony Kart, CRG e Energy.

Mas sobre o que eu posso falar com propriedade desde o primeiro momento, já que inclusive voltei a dar uma de mecânico e ajudei na montagem da parafernália digna de um time de qualquer categoria de ponta que você pensar – e na verdade a escuderia é exatamente isso, é da ART Grand Prix, a base de uma pirâmide que já existia na F-Renault, GP3, GP3 e no gerenciamento de carreiras de pilotos inclusive da F-1 (estamos falando do grupo capitaneado por Nicholas Todt, o brasileiro Rafael Sportelli e Fred Vasseur, criador do time ASM que virou ART, e pelo qual passaram Vettel, Hamilton, Rosberg, Maldonado, Di Resta e Hulkenberg em seu caminho rumo ao topo.

Pois é nele que está o mineiro Sérgio Sette Câmara, com seus 14 anos e uma carreira que eu vi começar quase por acidente. Eu tinha um kart 400cc em que tentei aprender a andar, digamos, direitinho e, no mesmo boxe estava um moleque que mal alcançava os pedais e se empenhava em comer o asfalto do Kartódromo de Betim, tanto assim que está hoje onde está.

Serginho é um dos 97 inscritos na KF3 e tem a retaguarda de um time de feras, do mecânico ao diretor-geral. As marcas tradicionais no kart são várias, os títulos normalmente se dividem, mas, em que outra escuderia você tem a perspectiva de um caminho linear até o topo? Pois as três letrinhas têm um peso cada vez maior e, para onde a turma de uniforme preto e vermelho olha, costuma sair ouro. Fazer parte de um time assim já não é pouca coisa, e o mais interessante é testemunhar o conselho ao mineiro de que se preocupe, acima de tudo, em fazer o que sabe, sem pressão ou cobrança – que não se intimide com a quantidade de rivais ou os nomes de uns ou outros. Isso já deu para ver que ele fará. E se a conversa nos últimos posts destacava a perigosa seca de pilotos capazes de nos representar à altura da tradição, há motivos para esperança. Além dele, temos Arthur Fortunato, Victor Baptista, Giuliano Raucci e Gabriel Sereia, sem contar outros que poderiam perfeitamente estar aqui. Sonhar ou querer títulos é até desnecessário, considerando que não é só isso, muito pelo contrário, que pesa nos próximos passos das carreiras. Mas que os olheiros estão atentos, com certeza. E pra não dizer que você nunca ouviu falar, fique de olho no francês Charles Leclerc, companheiro de time de Serginho, atual campeão do mundo da KF3 e europeu da KF2. Ele e o inglês Benjamin Barnicoat prometem ser as bolas da vez num futuro breve.

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