Mais uma da Toro Rosso…

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Deveria ser uma das escuderias mais descontraídas do circo da F-1, mas se transformou numa máquina de triturar carreiras promissoras ou arruinar (ao menos para a categoria) as ambições de muita gente boa julgada prematuramente – ou será que alguém duvida que Sebastien Bourdais merecia ter feito mais e andado mais? Foi assim com Scott Speed, Vitantonio Liuzzi, Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi, e olha que Alguersuari venceu tudo o que podia pelo caminho e não fez feio no comando de um dos carros fabricados em Faenza. Desde então, mergulhou no esquecimento total e só lida com a categoria como comentarista de TV.

Sim, falo da Toro Rosso, que só não fez mais vítimas porque Daniel Ricciardo teve a chance (até certo ponto discutível) de substituir Mark Webber na irmã maior Red Bull. Do contrário, dançaria Jean-Eric Vergne, que ganhou uma sobrevida. O objetivo original, aliás, era exatamente este: nutrir a tricampeã mundial de Construtores (graças a um piloto que subiu todos os degraus da ladeira com a ajuda do touro alado, um tal de Sebastian Vettel) de novos campeões saídos do programa de talentos da fabricante de latinhas “que dão aaasas”. O problema reside justamente no fato de que Vettel não nasce em árvore, e a cobrança da dupla Helmut Marko/Franz Tost (há quem diga que o segundo é muito mais severo que o primeiro) fica cada vez mais implacável. A ex-Minardi venceu seu GP na Itália’2008, mas a chance de que isso se repetisse desde então foi nula.

 Só que chegamos a 2013 com a perspectiva de mudança sem traumas, já que um dos alunos aplicados foi promovido, e todas as atenções se voltavam para o português Antonio Félix da Costa. Que ganhou GP de Macau de F-3, fez bonito na Renault World Series 3.5, testou Red Bull e Toro Rosso e foi bem em ambas. Tudo bem que foi “apenas” o terceiro na temporada da 3.5, mas em boa parte devido à escolha feita pelos superiores, que o colocaram num time sem estrutura digna para sonhar com o título. Ainda assim, o “tuga” tinha todo o direito de sonhar com a chance tão esperada, e tudo levava a crer que seria assim…

…mas eis que os rumores começam rápidos (mais do que uma Toro Rosso), gente que nada tinha a ver com a marca das latinhas começou a negociar e surgiu mais um nebuloso grupo russo de investidores capaz de empurrar um compatriota. Por sorte (da equipe), havia um na fila do programa da Red Bull, mas que deveria ter amadurecido um pouco mais até ser galgado o topo. Se você ainda não leu em outro lugar, Daniil Kyvat, de 19 anos, será o companheiro de Vergne em 2014, talvez o pior ano para se estrear na categoria, por conta da quantidade de mudanças e da exigência técnica que elas trarão. Desnecessário dizer que o talento, que o levou a ainda brigar pelo título da GP3, não pesou sozinho (olha que ele tem uma carreira sólida desde o kart, mas longe de ser brilhante).

Fosse por isso e o espanhol Carlos Sainz Junior (filho do bicampeão mundial de rali) teria tanto direito ao cockpit quanto o russo, ou quanto o português AFC. Só pra lembrar, Valterri Bottas, outro que subiu da GP3, era considerado um campeão mundial em potencial, passou um ano aprendendo as pistas ao tomar a vaga de Bruno Senna na primeira sessão livre das sextas-feiras e faz um ano insosso com a Williams. Ou Kyvat segura a vaga com muitos rublos, ou terá de fazer uma temporada irretocável para não sofrer o mesmo fim de colegas ilustres. O mais incrível é que até a Minardi, em sua versão original, era mais ética e transparente ao justificar suas escolhas, pois não sobreviveria sem alguém que pagasse as contas. Se bem que realmente a possibilidade de vender energético na Rússia é bem mais tentadora do que em Portugal…

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