LOUCURA POUCA É BOBAGEM…

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Se você acha que já viu de tudo em termos de maluquice sobre rodas, então é melhor dar uma olhada na foto abaixo. Pode não parecer nada extraordinário, até que venha a explicação sobre o conjunto da obra. Há quase seis décadas, as ruas de Macau, antigo protetorado português devolvido à China, em pleno Sudoeste asiático, recebem um dos mais tradicionais eventos do esporte motor no planeta – com destaque para a corrida de monopostos (já foram várias categorias, mas desde a década de 1980 – como esquecer o show de Ayrton Senna em 1983, ou as primeiras rusgas entre Michael Schumacher e Mika Hakkinen, em 1990 –, a F-3 é a estrela do espetáculo. São 6.120m de extensão, com largura máxima de 7m e vários obstáculos capazes de assustar mesmo sobre quatro rodas, como muros de pedra, postes e coisas do gênero. Curvas como a Lisboa e a Dona Maria, que de engraçado só tem mesmo o nome (é uma descida cega de 180 graus com barreira de pedra em seu interior) se tornaram lendárias.

E se eu disser que há 44 anos as motos também aceleram nessa espécie de roleta russa da velocidade? Enquanto a preocupação com segurança desnaturou boa parte dos circuitos do mundo, o Circuito da Guia, como é conhecido, permanece praticamente intocado. O que representa dizer guard-rails ameaçadoramente próximos, áreas de escape praticamente inexistentes e um asfalto longe do ideal. Não por acaso, vencer sobre duas rodas em Macau costuma ser sinônimo de Grã-Bretanha (trata-se do único canto do mundo em que provas como o Tourist Trophy, na Ilha de Man, ou Dundrod, na Irlanda mantém seu fascínio aterrador). Mas pilotos como Kevin Schwantz, Didier de Radigués ou Scott Russell já se arriscaram por aquelas paragens. E as motos do extinto Mundial de 500cc também, chegando à freada da reta principal próximas dos 280km/h.

Hoje as Superbikes dominam o grid. E a edição deste ano foi vencida por mais um súdito da rainha, Stuart Easton, tricampeão com uma Kawasaki ZX10R, e novo recordista da pista (só não é mais rápido do que os bólidos da F-3 e F-Renault). Felizmente, desta vez não houve acidentes mais graves (as fatalidades não são assim tão raras), descontado o tombo do canadense Chris Peris que, segundo os organizadores, teve “apenas leves contusão e concussão no pulmão”. Vale lembrar que tombo, em Macau, é sinônimo de bandeira vermelha, já que as máquinas encostam nas barreiras e ricocheteiam no asfalto. E então, encara? Em tempo, a corrida da F-3 foi vencida pelo ítalo-suíço Edoardo Mortara, primeiro a dominar o evento em duas edições…

Crédito: Conselho do Grande Prêmio de Macau/divulgação

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