JUSTO E MERECIDO…

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Há os grandes pilotos e há os pilotos gente boa. E há quem consiga juntar as duas características. É o caso de Max Wilson de Lima, que entrou para a prestigiosa galeria dos campeões da Stock Car numa decisão que deixaria o GP de Abu Dhabi deste ano morrendo de inveja. O que o título mudou de mãos ao longo dos 50 minutos de prova final em Curitiba foi uma grandeza. E os três candidatos que restaram passaram por maus bocados. Faço ideia do que deve ser pilotar com o vidro totalmente embaçado e o cockpit inundado, acelerando num sabão. Max arriscou na estratégia, foi punido por parada com os boxes fechados e, ainda assim, levou para a casa a merecida taça.

Trata-se de mais um exemplo de quem tinha tudo para não dar certo no automobilismo e, de insistente, resolveu contrariar a lógica. Nascido na Alemanha, de pai diplomata de carreira, comeu o pão que o diabo amassou no início da carreira até chegar à Europa, onde disputou a F-3 alemã pela equipe de Willi Webber, o ex-empresário de Michael Schumacher; se destacou na F-3000 (quando teve o merecido suporte da Petrobras) e chegou a se transformar em piloto de testes da Williams. Portas fechadas do lado de lá do Atlântico, foi para os EUA, onde penou com o sofrível carro da equipe Sigma Arciero, até fazer as malas para a Austrália e se exilar por seis longos anos, transformando-se em especialista do difícil V8 Supercars.

Tive a chance de acompanhar de perto uma das mais impressionantes exibições do paulista. No fim de 1996, ele disputou a etapa de Interlagos do ITC, a versão internacional do DTM, com um Alfa 155V6 do ano anterior. Pois bastou chover na segunda bateria para que o carro branco voasse nos 4.309m. Um a um, as feras do campeonato ficavam para trás: Danner, Fisichella, o campeão Reuter; e a corrida daquele novato chamava a atenção de brazucas e gringos. Só não conseguiu bater o vencedor Nicola Larini, mas nem precisou. Fera também nas provas de longa duração, Max viu seu esforço premiado depois de uma decisão inacreditável. Ficaria em boas mãos também com Ricardo Maurício ou Cacá Bueno, mas foi justo e merecido. Assim como (e eu não ia perder a chance, tomando emprestado o espaço da turma que bloga sobre o esporte bretão) o título brasileiro do meu Fluminense, depois de longos e angustiantes 26 anos de espera. Valeu…

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