JÁ QUE É PARA SER…

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Nunca imaginei que São Paulo fosse a cidade escolhida para receber a etapa brasileira da Indy Racing League (IRL). Por um simples motivo: desde que houve a confirmação de que o GP seria disputado em um circuito provisório, não via qualquer sentido em montar um traçado de rua justamente onde está Interlagos, o autódromo do país em melhores condições. No Rio, por exemplo, fazia sentido: de 1996 a 2000, o oval construído em Jacarepaguá recebeu os carros da então F-Indy, mas as obras para o Pan de 2007 desfiguraram a estrutura. E que cartão-postal melhor para vender as belezas verde-amarelas haveria do que um cenário com o Cristo Redentor e o Pão de açúcar (o projeto carioca previa um traçado no Aterro do Flamengo)? No caso de Ribeirão Preto, também cotada, o fato de Hélio Castroneves ser cidadão local era um argumento de peso. Ainda havia Salvador (mas a experiência da Stock acabou jogando contra) e Brasília, esta no Autódromo Nelson Piquet.    Como nem sempre a lógica prevalece, São Paulo acabou levando a melhor no que parece ter sido bem mais uma guerra política do que qualquer outra coisa. Com uma Olimpíada pela frente, o Rio não teria como oferecer o mesmo suporte financeiro. Montar uma pista dessas dá um trabalho absurdo. Imagine cercar mais de quatro quilômetros de pista com barreiras de concreto, alambrado, pneus (dos dois lados, ou seja, mais de oito quilômetros de equipamento), construir boxes, garantir um asfalto adequado para o desfile das máquinas a mais de 250 km/h.   Ficou no mínimo estranho, mas não inédito. Afinal, Valência dispõe de um autódromo usado inclusive pela F-1 para os testes de pré-temporada mas, na hora de receber o circo, preferiu investir os tubos na construção de um circuito de rua. Sendo assim, não faz sentido bombardear a São Paulo Indy 300 como muita gente da própria imprensa paulista e outros metidos a entendedores vêm fazendo. O time escolhido para a montagem da festa é recheado de nomes competentes, são muitos pilotos ou gente com vasta experiência no entretenimento, e há todo o grau de exigência da direção da IRL, capitaneada pelo simpático mas profissional Brian Barnhart. Não é com algum tipo de obra “meia-bomba” que a pista será liberada para os treinos de sexta-feira.   Tudo bem que o Tietê e sua marginal congestionada não são a melhor imagem para se mostrar do Brasil mas, até para isso, existem todos os recursos de edição de TV. O importante é que o público tenha a visão de bons pegas, os pilotos gostem da brincadeira e se mostrem dispostos a voltar em 2011. Se for com vitória brasileira, melhor ainda. Todo sucesso do mundo para a prova, mas também para Rafa, Bia, Tony, Helinho, Vítor e Mário Romancini. Tão bom quanto exportar feras, é vê-las em ação de perto.    

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