ISSO É QUE É CORRIDA (PARTE I)

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   Se eu falar que, no fim de semana que vem será disputada a 38ª edição das 24h de Nurburgring, talvez não represente grande coisa. Afinal, a corrida não tem, no Brasil, o mesmo destaque e repercussão de outras provas de longa duração como as 24h de Le Mans, Daytona ou Spa. Mas basta contar um pouco sobre este misto de loucura, festa e desafio sobre rodas para dar uma dimensão de seu tamanho e do que representa hoje no cenário internacional. Mesmo quem não era nascido na época já ouviu falar no traçado longo do circuito alemão (o Nordschleife), palco do pavoroso acidente que quase levou Niki Lauda dessa para outra vida, em 1976. Um tobogã de 77 curvas, a grande maioria delas cega, estreito e com 25.359m, que deixou de fazer parte do cotidiano da F-1 desde então. Em 1984 foi inaugurada uma versão curta, usada na maior parte do ano. O “inferno verde” em meio ao maciço de Eifel segue lá, impassível, e durante os GPs atuais se transforma em local de acampanhamento para os torcedores, que adoram pintar o asfalto com mensagens de incentivo.

Eu estive lá, em 1998, e confesso que fiquei impressionado com o que vi. De repente, em meio às árvores e a guard-rails estreitos, aparecia um pedaço de pista e não demorava até que alguém confirmasse: era o sagrado Nordschleife. Como estávamos em fim de semana de F-1, não era possível dar a tradicional volta com um carro de passeio. Mas fiz questão de conversar com um dos mitos da pista: Hans-Joachim Stuck, três vezes vencedor das 24h, e satisfazer minha curiosidade. Existe jeito de decorar o traçado, de saber o que espera a cada freada, a cada curva? “Mesmo percorrendo a pista várias vezes sempre me surpreendo. O que fazemos é colar um adesivo no volante com o desenho do circuito, assim posso ter uma ideia de onde estou. E tendo guardar referências: uma casa, uma pedra, qualquer coisa serve”.

Dá para imaginar o que é acelerar nessas condições, inclusive à noite? E se eu disser que 208 carros estão inscritos para a corrida deste ano, e que a lista é totalmente eclética, há desde supermáquinas como os Audi R8 LMS (foto abaixo) até modestos VW Golf de outra era. Mas sobre isso eu falo na segunda parte.

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