Filme repetido no meio do nada – Coluna Sexta Marcha

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*** A coluna Sexta Marcha sobre o GP da Coreia do Sul chega ao blog com algum atraso, proposital. Afinal, era mais do que uma obrigação deixar, no topo, o post sobre a morte de Dan Wheldon, que deixa em segundo plano qualquer tipo de disputa ou resultado. Aliás, justamente a cobertura do acidente não permitiu que o texto fosse publicado no Correio Braziliense, mas o leitor candango não fica no prejuízo e tem aqui a chance de ler as considerações sobre o fim de semana em Yeongam…

Filme repetido no meio do nada

Já de inicio, um esclarecimento antes de me tornar persona non grata na Coreia do Sul ou motivar um protesto diplomático formal, com pedido de extradição e tudo o mais: não apenas respeito o país asiático, como admiro sua capacidade de, em pouco tempo, se transformar num gigante em áreas de tecnologia de ponta, Poderia ficar até amanhã citando marcas de eletroeletrônicos, computadores, carros, estaleiros que ganharam o mundo e hoje estão em nossas estantes, salas de estar, escritórios, garagens e tudo o mais. Uma nação que viveu um conflito sangrento com a vizinha comunista há pouco mais de seis décadas não apenas se reergueu, como assumiu, de forma merecida, a condição de tigre asiático, com uma economia ainda em franca expansão. E ainda há que lembrar que os Jogos Olímpicos de 1988 foram um sucesso retumbante.

Isso posto, lamento apenas que uma nação com tradição nas pistas quase nula tenha ganho seu espaço no circo enquanto outras como a França tenham dado adeus, Vejam só o caso da Índia, próxima parada (inédita) da trupe motorizada: tem uma escuderia, dois pilotos, patrocinadores e optou por construir seu circuito próximo a uma das principais aglomerações do mais populoso contingente do mundo, Greater Nolda, subúrbio de Nova Déli.

De tradição ou envolvimento sul-coreando com a categoria máxima do automobilismo, apenas o patrocínio de uma empresa (tá bom, a LG), na condição de parceira do campeonato – quem é que nunca viu num showroom de TVs de Led e LCD belas imagens de provas passadas, ou um carro com as cores da turma do Life’s Good em alta definição? Mas e Hyundai, Kia, Samsung, Kyosung? Nem sombra. Os fabricantes de pneus nacionais até que foram agressivos: hoje não faltam categorias de fórmula ou turismo pelo mundo calçadas com os Kumho e Hankook. Pilotos, no entanto… nada. Categorias de formação dignas de revelar talentos, também quase nada. Para piorar, escolheram uma área rural a 370 quilômetros a sudoeste da capital Seul, próxima apenas do porto de Mokpo e com problemas graves de acomodação e vias de acesso. Sim, a ideia de transformar o complexo numa Disneylândia da velocidade é louvável, mas não é coisa para hoje, e nem se sabe se vai ser um dia. E, cereja do bolo, parece que São Pedro escolheu o recanto para passar as férias. Desde o ano passado o que mais se ouvia era: “o traçado é interessante, seria bom avaliá-lo com tempo bom;

Ano passado a ousadia fez com que a largada fosse adiada continuamente, Lewis Hamilton berrasse pelo rádio pedindo a largada sob o dilúvio, Webber rodasse e Vettel quebrasse o motor, quase compromento a chance do titulo. Quando Alonso recebeu a bandeirada, a noite caía a passos largos. De onde eu questiono: não seria mais óbvio optar por um período de tempo mais clemente ou será que Mr.E quer fazer da prova sul-coreana o que chegou a sonhar com os caminhões molhando a pista artificialmente? Como o campeonato desta vez está mais que decidido, menos mal

Mas ainda acho que seria melhor alternar Bareins, Abu Dhabis e Coreias do Sul a pensar numa dobradinha “um ano na França, outro na Bélgica”. Pelo nível do Mundial, seria bem mais interessante. Sobre a corrida, apesar do tempo seco, é chover no molhado, com o perdão do trocadilho. Vitória de Vettel, título da Red Bull, Alonso na frente de Massa, Senna e Barrichello sem marcar pontos, até aí nenhuma novidade. Hamilton até quebrou a série invicta de poles do touro vermelho, mas foi só. Que na Índia a pista não seja a única coisa diferente…

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