F-1: 2014 e a fase da Red Bull

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Começo o dia lendo em alguns sites e blogs que a Red Bull, foco de todas as atenções nesta pré-temporada do Mundial de Fórmula 1, teria feito um teste irregular, a exemplo do que fez ano passado a Mercedes em Barcelona, quando usou os carros de 2013 para avaliar novos compostos da Pirelli (e lógico que levou vantagem). Considerando-se que tal teste “irregular” teria ocorrido em Idiada, na Espanha, a história é completamente privada de qualquer fundamento. Cada time tem, ao longo do ano, oito datas para treinos em linha reta – avaliações aerodinâmicas, mas que logicamente podem dizer respeito a outros componentes do carro, incluindo o motor. Idiada é uma instalação usada pela maioria das equipes para este tipo de trabalho e, pelo menos neste aspecto, Adrian Newey, Chris Horner e seus comandados não têm qualquer culpa.

Ainda sobre o time do Touro Vermelho, interessante como surgiram as teorias mais estapafúrdias possíveis para justificar os problemas nos dois testes coletivos. Houve quem dissesse que é uma estratégia proposital para esconder o verdadeiro potencial do RB10, que seria uma forma de calar quem fala que Sebastian Vettel só vence quando tem um carro infinitamente superior aos demais, e outras bobagens mais. Alguém imagina que a equipe de maior sucesso da década arriscaria sua imagem para despistar os adversários? São muitas coisas novas num ano só para correr tal risco.

O que aparenta é a infeliz coincidência entre dois problemas. Lembro-me de ter lido Remi Taffin, da Renault, ter dito numa entrevista que não acreditava nos desenhos do motor V6 de 1.600cc divulgados pela Mercedes no começo do ano passado. É bem capaz que o propulsor tenha ficado muito diferente do esboço, mas quem está mal na fita é a fábrica francesa, que levou o turbo para a F-1, no fim da década de 1970, e agora patina com o ERS, o sistema de recuperação de energia cinética.

Ao mesmo tempo, Newey, provavelmente confiando na capacidade dos franceses em desenvolver um material capaz de se ajustar perfeitamente à sua mania de miniaturização, foi novamente fundo em sua obsessão aerodinâmica. Terá que sacrificar eficiência em nome de uma melhor refrigeração e lidar com um propulsor que, de acordo com o japonês falastrão Kamui Kobayashi, faz da Caterham “um carro mais lento do que um GP2” (e olha que a Caterham superou a Red Bull no Barein). É cedo para prever fracasso total, mas 18 dias são pouco tempo para reverter o quadro de modo a brilhar em Melbourne. Se acontecer, será de tirar o chapéu.

Aliás, tem um detalhe sobre o qual ninguém, de nenhuma equipe, ainda se pronunciou abertamente: uma coisa é andar rápido, completar boas sequências de voltas, andar um ou dois GPs. Outra, que vale a partir de agora, é conseguir levar o carro da largada à bandeirada com 100 quilos de combustível no tanque. Isso só nas ruas do Albert Park mesmo para saber…

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