EXPORTANDO IDEIAS E IMPORTANDO QUALIDADE

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     Que o automobilismo brasileiro tem qualidade para dar, vender e exportar não é nenhuma novidade. Entra ano, sai ano, há uma fornada de pilotos tentando a sorte na Europa ou nos EUA, nas mais variadas categorias e campeonatos, sempre com o mesmo sucesso. Também temos mecânicos, engenheiros, dirigentes e inúmeros outros profissionais emprestando sua capacidade para o sucesso dos mais variados eventos sobre quatro rodas.        Mas, assim como é bom ver essa gente bronzeada mostrar seu valor em outras bandas, é igualmente positivo ver o país recebendo algumas das principais categorias internacionais ou mesmo ter competições que sirvam de referência, atraiam equipes, pilotos, imprensa e patrocinadores. O que dizer então quando um evento é fruto da imaginação e do trabalho verde e amarelos e pode ganhar espaço a ponto de se transformar num compromisso imperdível na agenda dos aspirantes a campeão?       Pois é exatamente o que está prestes a ocorrer com o Brazil Open de F-3. Uma ideia que brotou da mente do ex-piloto mineiro Roberto Mourão, que, com o trabalho ao lado de Clemente Jr, a quem acompanhou desde os tempos do kart, se especializou em mostrar o caminho das pedras a quem briga por seu espaço nas pistas. E que ganhou eco no empresário Dilson Motta, organizador do Sul-Americano de F-3. Nada mais lógico: se nos primeiros meses do ano o rigoroso inverno torna praticamente impossível qualquer atividade nos autódromos europeus, que tal trazer as feras dos principais campeonatos da categoria para correr em uma pista de tradição como Interlagos? E juntar a eles os principais talentos brasileiros que passam por esta etapa quase obrigatória rumo ao topo?   A primeira edição, em janeiro, saiu meio na marra, o grid não foi tão grande quanto o esperado, mas o italiano Vittorio Ghirelli e o irlandês William Buller vieram conferir e adoraram a oportunidade. Como os chassis usados no Brasil e na Europa têm agora as mesmas especificações, o único obstáculo é o motor – por aqui uma unidade de origem Ford preparada pelo mago argentino Oreste Berta, mais potente do que os usados na Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e no Europeu.   Pois basta encontrar uma forma de equalizar a potência e será possível juntar 25, 30, 35 carros numa prova que tem a pretensão de, ao lado de Macau e do Masters de Zolder, formar uma espécie de tríplice coroa da F-3. Barry Bland, organizador das demais provas, gostou da ideia. E Mourão está de malas prontas para a França, onde pretende discutir a inclusão do Open no calendário da FIA e começar a tornar realidade a segunda edição. Não tenho dúvida de que tem tudo para ser um sucesso, especialmente se mantida a dobradinha com outras categorias no mesmo fim de semana. Uma iniciativa 100% brazuca, que mostra que, quando o assunto é o automobilismo, nós também sabemos exportar campeonatos…     

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