Eram duas. Agora, meia…

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O leitor que acompanhou o Mundial de F-1 do ano passado haverá de se lembrar da confusão entre os dois times que alinharam com o nome Lotus, valendo-se cada um de sua razão e justificativa. Havia os carros verde e amarelos do time criado em 2010 pelo malaio Tony Fernandes que, ao conseguir o apoio do governo de seu país e chegar a um entendimento com David Hunt, irmão de James, campeão mundial de 1976, se tornou dono dos direitos sobre a Lotus Racing, a equipe criada por Colin Chapman, que nada mais tinha em comum com a Lotus montadora de esportivos – esta, então de propriedade do grupo malaio Proton.

Pois eis que o grupo malaio Proton resolveu investir pesado na categoria, mas escolheu o que até 2010 foi simplesmente Renault, e mudou de nome ao ter sua propriedade comprada pelo grupo de investimentos Genii Capital. A pendenga foi para a Justiça, na prática as duas partes foram consideradas com razão e só uma jogada inteligente de Fernandes, que acrescentou, aos já promissores investimentos, a Caterham, outra montadora de esportivos tipicamente britânica que fez seu nome ao produzir uma nova versão do… Lotus Seven, deixado de lado por Chapman nos anos 1970. Assim, depois de tanto se discutir, nada de distinguir os carros pelas cores ou fazer mímica para entender quem era quem: teríamos Caterham de um lado e Lotus do outro.

Tudo parecia explicado e definido, até que a notícia surgiu em meio ao feriado: embora viva um momento de expansão, com projetos de novos modelos, investimentos em outras categorias (Indy, Mundial de Endurance), a Lotus, fabricante, acabou vendida pela Proton ao consórcio DRB-Hicom. Consórcio este que ainda não definiu o que fazer e levou a Genii Capital a encerrar, bem antes da hora, o contrato de patrocínio, com opção inclusive de compra de parte da equipe pela marca de Hethel.

Moral da história: depois de tanto insistir, comprar briga com os rivais, costurar uma complicada saída estratégica, a Lotus vai continuar se chamando Lotus, mas deve perder, já a partir da China, os adesivos e qualquer referência à fábrica. Será o que a Caterham foi em seu primeiro ano – vai usar o nome porque ele é sinônimo de tradição e carisma nas pistas, mas, acima de tudo, porque nova mudança de denominação em dois anos seria rejeitada pelas adversárias – e aí a solução seria mudar na marra e, como um time novo, perder toda a fatia do bolo na receita de publicidade e os bônus oferecidos por Bernie Ecclestone, indo para o fim da fila. E pensar que tinha gente querendo tirar o mofo de nomes como a Brabham. Melhor não mexer nisso…

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