ENTRE ASAS E DISTÂNCIAS…

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Com um pequeno atraso, aí vai o texto da coluna publicada segunda-feira no Correio Braziliense, a respeito do GP da Hungria

Qual o objetivo de pilotos e equipes do Mundial de Fórmula 1, se não me engano? Terminar à frente dos adversários, seja qualificando-se melhor do que eles, seja fazendo ultrapassagens, o que é mercadoria cada vez mais rara na categoria; seja apostando na estratégia e contando com uma pitada de sorte, coisa de que Mark Webber se valeu com maestria para vencer o GP da Hungria e assumir a liderança do Mundial. Logo ele, o segundo piloto, aquele que, por conta de uma asa nova em Silverstone, desafogou toda a sua raiva pelo rádio na volta da consagração.

Falando em asa nova, mal sabia eu (e imagino que você também), o motivo de tanta expectativa. Para encurtar a história, a McLaren criou o já famoso F-Duct, o sistema que usa parte do corpo do piloto para direcionar o ar para o aerofólio traseiro, fazendo com que ele, grosso modo, “abaixe” nas retas, garantindo alguns quilômetros por hora a mais no momento decisivo. Todos copiaram, a FIA resolveu proibir a partir de 2011 mas, quem não teve a mesma competência para inventar tal traquitana resolveu atuar em outra área. E fez algo semelhante na dianteira do carro.

Tão engenhoso que, jogo de cena ou não, o diretor de engenharia da mesma McLaren, Paddy Lowe, assumiu conhecer o milagre, mas não o santo. Ou seja: sabe que as asas dianteiras da Ferrari e da Red Bull fletem sobre pressão e criam efeito semelhante. Seu grupo de trabalho pensou em imitar o dispositivo, mas não conseguiu. Como paradas elas não se movem meio milímetro a mais do que prevê o regulamento e não há como medir com os carros em movimento, teoricamente não há delito. Mas a FIA resolveu agir e vai tornar as verificações técnicas mais rigorosas a partir do GP da Bélgica. Promete duplicar o peso a que serão submetidos os componentes, numa tentativa de frear a criatividade de alguns, sempre atentos a cada “ponto cego” das regras.

Enquanto isso, Sebastian Vettel foi punido com um drive-through por não ter respeitado a distância de 10 carros em relação ao safety car, que entrou em Hungaroring – me perdoem a chatura, mas está errado falar circuito de Hungaroring, já que ring é justamente circuito, anel (bom que se diga, eu escrevi inúmeras vezes, e vou continuar caindo em tentação). Entendo que o episódio já trouxe polêmica, que em GPs passados algo parecido ocorreu com Lewis Hamilton, que a lambança de Valência deixou irados os dirigentes de várias equipes, mas o alemão deixou claro que não tinha comunicação por rádio e imaginava que havia uma volta a mais, quando ele restabeleceria a distância correta. Regras são regras, mas por vezes é necessário bom senso. Ou ao invés de falar de ultrapassagens, estratégias e belas vitórias, continuaremos dando mais atenção a asas e distâncias.

Por fim e por último, palmas para Rubens Barrichello. Claro que a diferença de pneus era grande, que ele estava em melhor condição do que Michael Schumacher, mas finalmente, depois de tantos anos de subserviência e discurso infrutífero, finalmente ele conseguiu ultrapassar o alemão. Que na hora na corrida pode até ser um adversário a mais, mas que deve ter dado satisfação especial…

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