ELE CONSEGUIU

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 O mês era março, e a notícia melhor que a encomenda: depois de comer o pão que o diabo amassou na qualificação para as 500 Milhas de Indianápolis de 2009 – para refrescar a memória, ele só foi à pista no último dia de treinos, completou 12 voltas, se classificou e perdeu a vaga para o companheiro de equipe – Bruno Junqueira estaria de volta, dessa vez com perspectivas menos assustadoras. Ironia do destino, a equipe criada para Alex Tagliani, o mesmo que tomou seu lugar na edição passada, viu no brasileiro o nome ideal para acelerar seu segundo carro no templo da velocidade.   Mas, parece que as coisas decidiram não ser fáceis para o mineiro. Depois de um quinto lugar na estreia e da pole em 2002, ele sofreu em 2006 seu mais grave acidente. Voltou à pista pela Dale Coyne, em 2008, mas viu sua prova estragada pela… falta do espelho retrovisor, coisa de time minúsculo. Ano passado eu já contei. E o que deveria ser simples quase se transformou em pesadelo novamente. Nada do dinheiro do patrocinador prometido, nada de pista, e o grid cada vez mais distante. Aos 45 do segundo tempo, a dobradinha entre o Banco Rural e a canadense B & W, que apoia Tagliani, permtiu entrar na pista, de novo no último dia, na bacia das almas. Desta vez foram apenas três voltas, o câmbio ainda quebrou mas, como diz o ditado, o que é do homem o bicho não come. Os deuses da velocidade determinaram que Bruno se classificaria, ele foi o mais rápido do domingo e, se tivesse participado do pole day, teria condições de largar nas três primeiras filas.   Para quem passou pelo que passou, melhor não pensar no “se”. E comemorar a chance de ter feito tanto com tão pouco – tempo, estrutura, dinheiro – mostrando que adaptação não é problema – ou alguém acha que é fácil fazer quatro voltas com média de 363 km/h (coisa de Boeing decolando), depois de poucas e boas, e tendo saído da “lentidão” de um F-Truck? Nem tenho como discordar de Brian Lisles, gerente da Newman-Haas, que disse que “Bruno tem uma cultura técnica em Indianápolis que só vi em um piloto”… um  tal de Mario Andretti. Ao que eu acrescento uma grande dose de talento e garra…  

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