Ecos do tapete vermelho – Coluna Sexta Marcha

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Aí está a coluna Sexta Marcha sobre o GP de Mônaco, o tal que entrou para a história por conta dos cinco anteriores, com a vitória de Mark Webber, o sexto elemento. Considerando-se que o Canadá também é pródigo em surpresas e imaginando que Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen ainda não ocuparam o alto do pódio este ano (imaginar Felipe Massa e Romain Grosjean por enquanto seria uma zebra a la Maldonado), não é de se excluir um sétimo vencedor diferente. Se vale um sinal de equilíbrio, fui aos meus guardados e descobri que, depois dos seis primeiros GPs de 2011, Sebastian Vettel somava pouco modestos 143 pontos, a se comparar com os 76 de Fernando Alonso. Precisa dizer mais?

Ecos do tapete vermelho

Vamos combinar: GP de Mônaco não devia ser disputado no asfalto, mas

num tapete vermelho, nem tanto pela presença constante das estrelas do

entretenimento, que aproveitam a proximidade do Festival de Cannes (ou

mesmo descem de seus apartamentos para acompanhar o buchicho, mas

porque se trata de uma prova especial, qualquer que seja o desfecho, qual-

quer que seja a época. É estranho, mas fazer bonito nos 3.340m encravados

no Principado, por sua vez encravado numa colina dos Alpes Marítimos, é a

antítese da velocidade. Não se ganha acelerando mais, mas freando menos.

Não é o caso de percorrer cada trecho o mais rápido, e sim o menos devagar

possível. Um ciclista bem preparado e que aproveite o embalo da descida da

Mirabeau pode fazer a curva do Loews mais rápido do que as máquinas do

circo, sem qualquer exagero.

E se, como uma vez disse um tricampeão, andar em Mônaco é acelerar

uma moto na banheira de casa, pode ser chato para muitos dos que estão ao

volante, mas é um teste tão ou mais desafiador do que encarar monstros

sagrados como Spa-Francorchamps e sua Eau Rouge, ou Suzuka e a 130R.

Porque ser veloz na terra dos príncipes e princesas exige um senso de cálcu-

lo e posicionamento perfeito. Um fio de cabelo a mais e o choque com as

barreiras de proteção é inevitável. Um fio de cabelo a mais e a sombra de

quem vai à frente desaparece a passos largos.

É preciso acreditar, agredir as zebras e as curvas, mirar por entre as lâmi-

nas acreditando que o espaço é o suficiente para percorrer mais um trecho,

e assim por 78 voltas. Tem quem se impressione ao ver que um piloto de F-

1 é capaz de tirar as mãos do volante a 300km/h e “descansar” num retão, dar

folga à concentração total por um décimo de segundo que seja. Em Mônaco

simplesmente não há como. São 110% de foco, empenho, confiança, da

largada à bandeirada.

Pois há pilotos que parecem talhados para as exigências de Mônaco. Mark

Webber é um deles, e não apenas nos tempos de Red Bull. Foi terceiro em

2005 com a Williams BMW, largou em segundo no ano seguinte com uma

antediluviana Williams Cosworth e teria vencido não fosse o problema

mecânico na subida da Sainte-Devote. Em 2010, as contas com o destino

acertadas com juros e correção e um posto no centro do pódio (que por

aquelas bandas, por deferência aos Grimaldi, não tem degrau). Depois de

uma temporada apagada, salva pela vitória mambembe em Interlagos, eis

que o nativo de Queanbeyan aproveitou a oportunidade e não cometeu

erros, por mais pressão que recebesse. Como ele mesmo comentou, o

merecimento para largar na pole era de Michael Schumacher, mas, eu com-

pleto, ninguém manda o usar o carro alheio como ponto de freada. De que-

bra, entrou para a história por linhas tortas, ao ser o protagonista da sexta

vitória distinta em igual número de GPs, marca inédita em 63 anos do

Mundial.

A bem da verdade, as 1h46min06min557 (isso o tempo gasto por Webber,

os outros levaram um pouco mais) não foram um primor de emoção.

Considerando-se que a estratégia seria a mesma para a grande maioria, e

que por vezes a diferença de performance era tal que permitia algum

ataque, o grupinho dos seis primeiros foi bastante tímido. Sim, passar em

Mônaco é tarefa sennística, ou schumacherística (perdão pelos neologis-

mos), mas que dá, dá. Pelo menos uma tentativazinha, mostrar o bico que

fosse. No pelotão do apetite intermediário a coisa foi bem mais animada.

Felipe Massa me deixou com a pulga atrás da orelha: teria ele trocado de

posição com o irmão gêmeo que andava comandando seu carro (como

gosta de alardear o capo ferrarista Luca di Montezemolo)? Ou será que o

gêmeo aprendeu como se faz? Pelo menos estamos evoluindo, tomara que

não seja tarde.

Dúvida

Por último, uma pergunta a quem de direito da Vênus Platinada, que

exibe as imagens da F-1 por estas bandas: precisava esperar 40 anos para

mostrar algo mais do que o durante? Se já havia repórter, cinegrafista e reta-

guarda que permitiam desvendar os bastidores, acrescentar informação,

por que só agora? Bela iniciativa, mas o complicado vai ser sair da mesmice

quando não houver mais do que os personagens de sempre, e todos os

motorhomes tiverem sido mostrados, especialmente em paragens como

Hungria e Abu Dhabi. Enfim… que venha o Canadá.

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