Ecos de Interlagos…

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Não vou começar o post com aquela frase batida: “meninos, eu vi”, mas bem que poderia. Aliás, poderia ser coisa de quem nunca tinha visto de perto uma prova de endurance, quanto mais valendo por um Mundial, mas bastava olhar em volta durante o fim de semana em Interlagos para entender que se tratava de um momento especial. O que dizer de um evento que traz ao Brasil 23 vitórias nas 24h de Le Mans? Atrai ao autódromo paulista nosso único campeão na modalidade (Raul Boesel, em 1987), além de outras feras como Cristiano da Matta e exibe carros de sonho dentro e fora da pista, sob a batuta de ninguém menos do que Emerson Fittipaldi.

Foram seis horas, mas poderiam ser o quádruplo. É bom ter tempo de corrida o suficiente para poder descer aos boxes e acompanhar a movimentação, as reações, a felicidade de uns e a preocupação de outros; quem já havia estado no volante e quem ainda estaria, ver de longe a pista e se deliciar com detalhes que parecem irrelevantes, como as luzes brancas de LED das Audis piscando freneticamente para alertar os coitados dos retardatários. E quando Andre Lotterer, na Subida do Café, encontrou um protótipo LMP2 e um GT ocupando espaço e calculou milimetricamente para passar no meio dos dois? Sentir a mudança de clima, a neblina baixando, o frio e a noite chegando e a expectativa sobre quem pararia ou não. E mesmo sentado à frente do computador, a alguns metros das janelas que dão visão total da reta dos boxes, descobrir o carro que passava naquele momento apenas pelo ronco, ou pela falta dele. Só estando ali é que todos nós pudemos nos dar conta de que o motor V6 turbodiesel das R18 não faz barulho, assobia. Mais parece nave espacial ou carro fantasma, como logo alguém definiu. E o barato de acompanhar o TS030 que fez história ao receber a bandeirada na frente entrando nos boxes movido apenas pela propulsão elétrica, num silêncio surpreendente?

Maravilhas tecnológicas são todos os 28 carros, alguns mais, outros menos. Mas, com o perdão da expressão jurássica, foi um grande barato, e não fui só eu que achei. Pilotos da ativa e das antigas, jornalistas, quem ali estava a trabalho ou a passeio, e eu posso dizer que foi muita gente. Brindada com um senhor espetáculo, que pode rivalizar com Silverstone e Spa (Le Mans é um outro estágio…) e certamente será mais emocionante e interessante do que as etapas no Barein e em Xangai. Dá para entender porque vencedores e vencidos se mostram igualmente satisfeitos, conscientes de que fizeram o melhor; testemunhar o maior piloto da história da modalidade, ao menos nos números (vai ter quem diga o belga Jacky Ickx, e eu respeito), o dinamarquês Tom Kristensen, admitir aos olhos de todos que fez bobagem, e das grandes. E o novato Lucas di Grassi ser extremamente rápido e não cometer erros em sua primeira prova com o R18 Ultra. Sobre o brasileiro, apenas uma coisa me incomoda, mas dela eu falo outra hora.

Teve bom, teve muito bom. E nada contra a F-1, que logo logo aporta por estas bandas. São histórias diferentes, tipos de prova diferentes, espíritos diferentes e até preços de ingressos diferentes. Max Mosley não pensava assim e fez tudo para acabar com a modalidade, mas, seu sucessor Jean Todt, depois do sucesso como navegador nos ralis, comandou a armada Peugeot que finalmente levou a França ao alto do pódio depois de mais de duas décadas na mais famosa prova de resistência do planeta, e tudo fez para que a Endurance voltasse a ter papel de destaque. Para a felicidade geral de todas as nações, está dando muito certo e já é o caso de esperar com ansiedade a segunda edição das 6h de São Paulo. Porque promete ainda mais. Quem preferiu esperar para ver viu, e foi muito melhor do que a encomenda… Que venham 2013, esses pilotos fantásticos e suas máquinas sensacionais…

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