E aí, gostou? (Coluna Sexta Marcha – GP da Austrália)

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Então a temporada começou, muita gente boa ficou pelo caminho, houve problemas mecânicos, mas não a ponto de dizimar o grid, como se imaginava. E o barulho por enquanto parece maior dos que lamentam a mudança no ronco do que o que veio dos motores, embora fosse algo esperado desde sempre. E até que provem o contrário os motores turbo da era anterior (décadas de 1970 e 1980) assobiavam do mesmo jeito e ninguém reclamava. Enfim, com vocês a primeira coluna Sexta Marcha do ano, tal e qual publicada na edição impressa do Estado de Minas. Pegando carona no título, você pode até não ter gostado da nova F-1, mas espero que goste do texto…

E aí, gostou?

“Preparai-vos, ó ferrenhos amantes da velocidade e espectadores assíduos do circo, pois o fim está próximo. Ninguém restará intacto, hordas e mais hordas de cavaleiros metálicos ficarão pelo caminho em meio a nuvens de fumaça e panes hidráulicas”. Não, o prometido apocalipse não veio, como que a mostrar que os simuladores atuais não são eficientes apenas para preparar pilotos, e que os mais de 300 milhões de reais gastos (pela Mercedes) para desenvolver sua unidade de potência foram bastante bem empregados.

E, algo que não ocorria desde 2009, exatamente com a antecessora do time da estrela, a Brawn, quem dominou a pré-temporada confirmou sua superioridade quando foi para valer. O piloto bom de bola que adora se aquecer no fundo dos boxes fazendo embaixadinhas com os colegas de time mostrou que está melhor de braço do que nunca e não desperdiçou o favoritismo proporcionado pelas circunstâncias. Se vai criar uma armadilha para o companheiro Lewis Hamilton é cedo para afirmar. Mas que está maduro para ser campeão assim como o britânico, ou Vettel, ou Button, ou Alonso, ou Raikkonen, não restam dúvidas. Como ter o melhor carro é algo fundamental, está mais do que bem encaminhado, ainda que restem 19 GPs.

Falando no da Austrália, imagino que o amigo leitor tenha se sentido algo desconfortável, perdido, insatisfeito com alguns aspectos do espetáculo, o barulho (ou a ausência de) dos motores, especialmente. Mudança é assim mesmo: costuma incomodar no começo, ser recebida com ceticismo até mostrar que era justificada. Sobre o ronco, talvez a turma com menos de 30 não lembre, mas é bem parecido com os dos motores que empurraram Ayrton Senna e Nelson Piquet a seus títulos (o primeiro do pai de Nelsinho não conta, pois ainda veio empurrado por um honorável Ford Cosworth). A pilotagem ficou ainda mais limpa, a ordem voltou a ser delicadeza no jogo dos pedais e do volante, já que a potência, mecânica ou elétrica, costuma vir de forma algo brusca. E tudo indica que, salvo algumas exceções (Spa e Monza, principalmente), receber a bandeirada com 100 kg de combustível no tanque uma tarefa não tão complicada. Ao menos ninguém ficou se arrastando nas ruas do Albert Park como se temia. Foi só aparecer o alerta e parar o carro para evitar danos mais sérios.

Como será essa nova Fórmula 1 ainda é cedo para afirmar, mas dá para prever que bastante interessante, especialmente para quem tem um V6 1.600cc turbo de uma certa fábrica alemã. Não é torcer contra, mas ficou chato ver corridas em que os 22 que largavam chegavam ao fim, em que praticamente nada seria capaz de provocar um abandono ou mexer na ordem estabelecida. Será daquelas temporadas para esperar de tudo e não estranhar nada – ou alguém duvida da capacidade de Kevin Magnussen de vencer um GP; da Williams de enfiar o bico no topo do grid ou de herois improváveis como Daniil Kyvat ou Valterri Bottas de aprontarem das suas? É como se a manifestação de alegria dos australianos ao ver um compatriota na primeira fila e o tetracampeão mundial lá atrás fosse de todos nós. Nada contra Vettel, mas tudo por um campeonato emocionante e incerto. A desclassificação de Daniel Ricciardo, aliás, foi exagerada, por se tratar de um momento em que as equipes ainda patinam e certos exageros são perdoados, como o de Kobayashi-san, que não viveu dia de samurai, mas apenas acabou traído pelos caprichos dos freios traseiros de sua Caterham. Do acidente que tirou Felipe Massa da brincadeira, dizer apenas que ele está em compania ilustre. Vettel, Hamilton, Grosjean e provavelmente Ricciardo também não se moveram na tabela de pontos.

Apenas o começo

O leitor mais atento deve ter visto que ainda estamos a anos-luz do potencial que o novo pacote da F-1 proporcionará. Tudo bem que o Renault ainda está longe de ser adversário dos concorrentes, mas foi curioso notar como ele, mesmo em regime máximo, nem sequer chegava às 13 mil RPMs, enquanto o limite teórico é de 15 mil. E como o uso da oitava marcha, uma das várias novidades deste 2014, foi quase nulo. Tem muito por vir ainda…

Silêncio

Se alguém estranhou na comunicação entre equipes e pilotos os vários momentos de silêncio de quem estava no cockpit, não se trata de nenhum tipo de edição. É que nos volantes, por precaução, há um botão que tem a função de confirmar para os boxes que a mensagem foi “copiada”. Para quem tem que se virar com 26, 27 deles enquanto pilota, acaba sendo mais cômodo…

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