Do rabo entre as pernas à jogada de mestre…

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E eu que submestimei a capacidade de brilhar no marketing da turma da Red Bull, achando que a confirmação de mais um ano de acordo com a Renault, depois de toda a luta de bastidores e troca de acusações da temporada, fosse quase ser uma admissão de culpa, uma rendição vergonhosa. Me esqueci que a turma do touro vermelho é tão boa para valorizar suas atividades fora da pista quanto para desenvolver carros vencedores (aliás, quem será o Adrian Newey das relações públicas?).

Pois o RB12 vai ter potência “made in Viry-Chatillon” sim, mas sem referência direta à montadora francesa, se não com a Infiniti, que é a marca premium da Nissan, por sua vez parte do conglomerado Renault. Dietrich Mateschitz e seus homens conseguiram uma cartada de mestre ao repetir uma jogada da McLaren, no começo da década de 1980, quando Ron Dennis tinha dinheiro, mas não um motor decente à disposição. À época, Mansour Ojjeh, sócio do time e proprietário da TAG, empresa que se juntaria à fábrica de relógios suíça Heuer para criar um império de tecnologia e precisão, bancou do bolso a construção de um V6 turbo pela Porsche. Que, por sua vez, não queria publicidade, já que apenas fez o que lhe foi pedido (e muito bem pago). O resultado foram os títulos de 1984 a 1986, antes da chegada igualmente vitoriosa da Honda.

A TAG Heuer não é mais de Ojjeh (faz parte do grupo LVMH, de Louis Vuitton, Moet, Hennessy) e trocou a parceria histórica com a McLaren pela Red Bull, no que parecia apenas um simples acordo de patrocínio. Pois a Red Bull foi além e, como ela própria desenvolve tanto o MGU-H quanto o MGU-K do V6 Renault, pode se dar ao luxo de dizer que tem um motor “próprio”. E o conhecimento da TAG na área de produção e armazenamento de energia certamente será posto em prática para aprimorar a unidade de potência, menos a parte térmica e mais a elétrica, lógico. Mas não é conversa pra suíço ver, de modo algum. E o melhor de tudo é que, do que parecia ser uma derrota de imagem fragorosa, veio a notícia que, por enquanto, é a grande novidade de 2016. É esperar para ver se a TAG Heuer também dá asas…

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