Do papel para a tela…

Publicado em Sem categoria

Segunda depois de GP, os leitores habituais já devem saber, é dia de Coluna Sexta Marcha no Correio Braziliense. Para quem não teve a oportunidade de ler no papel, eu reproduzo no blog…

Pistas e pistas

Engraçado como são certas coisas na Fórmula 1 das últimas décadas. A mesma Barcelona que proporcionou um duelo épico, com a duração exata da reta dos boxes, entre Ayrton Senna e Nigel Mansell na edição de 1991 – os dois, num jogo de gato e rato a 320 quilômetros por hora, dispostos a ver quem seria o primeiro a frear para a primeira curva, e o inglês levou a melhor – foi palco de corridas sonolentas em temporadas recentes (a de 2010, por exemplo, dominada com extrema facilidade por Mark Webber) e passou a ser conhecida como sinônimo de largar na frente e terminar na mesma posição; ou de termômetro da força das equipes, especialmente nos treinos oficiais. Bastava olhar o grid e descobrir, fila a fila, companheiros separados por poucos metros. Havia a fileira vermelha, a prateada, a azul com vermelho e amarelo, e assim por diante.

Eis que, no ano das ultrapassagens no atacado, surgem a expectativa e a promessa de que 2011 entraria para história, como uma prova épica, cheia de lances sensacionais. Afinal, com 830 metros para se beneficiar da menor inclinação da asa traseira, superar quem vai à frente ficaria ainda mais simples e inexorável. Esperava-se muito, e o que se viu foi mais do mesmo. Ou, no mínimo, um blefe inócuo de Fernando Alonso ao dominar boa parte do GP doméstico para, na ciranda das paradas e do desgaste de pneus, assistir impotente à recuperação dos adversários.

Sim, porque com Kers, DRS e todas as demais siglas que possam ter surgido para favorecer os espetáculo, a corrida de ontem acabou, como tantas outras, decidida pelo que se pensou e fez nos boxes. Parar na hora certa, esperar uma volta a mais ou antecipar a previsão acabaram definindo o desfecho do GP da Espanha. Como nos melhores tempos de Ross Brawn e Michael Schumacher. Com um fator a mais a se administrar: o consumo dos pneus. E aí entram em cena os carros mais equilibrados (o do touro vermelho acima de tudo, se é que restava alguma dúvida), que permitem aos engenheiros e cabeças pensantes ousar todo o tipo de estratégia; e os pilotos com um estilo, por assim dizer, mais dócil, menos brusco – esses também ganham a chance de arriscar e dar o pulo do gato – e não vai ser Jenson Button quem me desmentirá. Os demais são obrigados a “overdrive” (pilotar acima do que permite o carro), ou a ver tudo o que remaram para chegar às primeiras posições se esvair tão rápido quanto o desgaste dos atuais compostos de borracha, que em três ou quatro voltas passam do céu ao inferno.

O problema, para quem o tem, é que a solução nem sempre é rápida e fácil. Fosse assim e a Ferrari já teria resolvido a falta de pressão aerodinâmica na dianteira, raiz de todos os seus males. Apostou num flerte com o limite do regulamento e saiu perdendo. Aliás, verdade seja dita, em seis décadas de Mundial, nunca foi tão caro conseguir um décimo de segundo a menos no tempo de volta. Quanto mais se impõe limites, mais se gasta com detalhes, se experimenta, simula, estuda. Motor e eletrônica são praticamente iguais (o segundo mais do que o primeiro), o espaço para a fantasia há muito foi restrito e, quando alguém encontra o que promete ser a solução revolucionária, corre o risco de ser copiado em questão de dias. Risco que, ao menos por enquanto, não parece assustar a Red Bull. Todos sabem que a asa dianteira se flexiona mais do que o normal nas retas (inclusive os comissários da FIA, que nada podem fazer, já que o fenômeno não se reproduz nas vistorias), mas times como o do Cavallino Rampante descobrem, na prática, que sem todo um conjunto que interaja com aquele toque de Midas, pouco se consegue ganhar.

Quanto a Mônaco, difícil prever alguma coisa – o uso do DRS não deve ser de grane valia durante a corrida; a menor duração da prova pode solicitar menos os pneus; mas, por outro lado, o asfalto é de rua, nunca é demais lembrar. Ainda mais porque tem um piloto alemão e uma equipe anglo-austríaca que estão estragando qualquer prognóstico..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *