Divirta-se Rubinho…

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Autódromo de Interlagos, 1995. Um bem mais jovem jornalista se acotovelou em meio aos microfones e gravadores para ouvir as palavras de um piloto também bem mais jovem (o tempo passa para todo mundo), que sonhava em ganhar o mundo mas carregava, nas costas, o peso de substituto de Ayrton Senna no coração e na expectativa do torcedor. Naquele momento, como muito depois, Rubens Barrichello mantinha o discurso. Quando venceu, prometeu brigar por títulos. Como não conseguiu (e não é demérito algum perder para um cidadão chamado Michael Schumacher), encontrava sempre uma justificativa. Ah, se o equipamento fosse o mesmo, as chances fossem as mesmas…

Passaram-se os anos, Rubinho ficou bem mais distante do pódio com uma Honda típica de fim de feira, viveu uma segunda fase áurea com o milagre da Brawn e, bastou deixar de lado as pretensões otimistas para ficar muito mais humano, mais próximo, talvez até mais piloto. Um cara capaz de, espremido pelo alemão, dar o recado com a Williams na Hungria, carregar nas costas um carro limitado, mostrar que o discurso da motivação e do preparo físico melhores do que nunca não era mito. Rubinho merecia sim permanecer na F-1 (como aliás Jarno Trulli também).

As portas se fecharam, mas a possibilidade de atravessar o Atlântico e seguir numa categoria competitiva surgiram quase por acaso – o que ficava claro em Interlagos, agora em 2011, era a vontade de continuar se divertindo, mostrando a excepcional condição de acertador de carros, tanto assim que não houve despedida, o GP do Brasil não foi encarado como o último. Para quem agora vive com o trio Silvana, Eduardo e Fernando a tiracolo, encara o automobilismo com a mesma responsabilidade, mas descontração bem maior, a Indy era realmente uma boa. E não dá para ignorar que é via de mão dupla: depois da morte de Dan Wheldon, nada melhor que a vinda de um nome que dispensa apresentações para dar nova linfa a um campeonato que vive momento de renovação, com novos chassis e motores.

Rubinho resolveu encarar os ovais e, pelas palavras, pretende encará-los com humildade, primeiro passo para se tornar rápido andando apenas para a esquerda. Reza a lenda que existem dois tipos de pilotos num oval: os que já bateram e os que ainda vão bater. Com a montanha de dados da telemetria, a sensibilidade apurada e a ajuda do companheiro Tony Kanaan, tem tudo para ser uma experiência sensacional. E melhor que o brasileiro prefere não fazer previsões, pois os bons resultados virão naturalmente. Que não se esqueça, no entanto, que o problema da F-1 se repete na Indy. A atual geração de pilotos brasileiros andará mais alguns anos, e não se vê quem possa ocupar seu lugar a curto prazo. Até há, como Rafa Matos, mas falta quem acredite. Tomara que não por muito tempo. No mais, sorte a Rubinho, e muita diversão, para ele e para quem acompanha…

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