DIFÍCIL ATÉ NO VIDEOGAME

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Aí vai a coluna publicada nesta segunda-feira no Correio Braziliense, com as considerações de ofício sobre o GP da Itália…

Me lembro claramente como se fosse hoje. Sempre que queria brincar de piloto de F-1 no fliperama ou no videogame (é, tem tempo…), escolhia, dentre as diversas pistas do calendário, Monza. Que tradição que nada. O que eu imaginava era que o traçado me daria menos trabalho e mais diversão. Imagine só o oposto: Mônaco com suas infindáveis trocas de marchas e guard-rails à espreita, seria pedir para ver a maldita mensagem “game over” de novo na tela. Mas olha que até em Monza o piloto virtual fazia das suas e, em pontos como a chicane no fim da reta, a Parabólica ou as duas pernas da curva de Lesmo, pagava pelo excesso de otimismo. Estávamos a anos-luz da realidade dos games atuais, mas mesmo assim ficava claro que andar rápido naquele conjunto de retas cortadas por variantes exigia muita habilidade e, claro, considerando o mundo de verdade, coragem. O maior desafio para um piloto é fazer braços e pernas atenderem aos comandos do cérebro, acreditar que é possível frear 30, 50 metros mais à frente, usar uma marcha mais forte que a imaginada, tirar menos o pé do acelerador do que o previsto. Para os 24 ungidos que disputam a temporada do Mundial de F-1, esse tipo de questionamento existencial não se aplica. No máximo, pensam em frear três, cinco metros à frente. Ou em como regular distribuição de frenagem, barras de torção, ação do diferencial, regime de rotações por minuto e mapa de consumo de combustível para fazer o carro render o esperado. Tudo isso despencando na reta a mais de 340km/h – acredite, para as estrelas do circo trata-se de um ponto de “descanso”, exceção feita para as disputas por posição. Disputas, aliás, que ocorreram em menor número do que faz supor a natureza do traçado próximo a Milão. A bem da verdade, o dia foi vermelho, os sinos em Maranello voltaram a badalar, a Scuderia está mais viva do que nunca na briga mas os vencedores morais do GP da Itália não foram Fernando Alonso ou Felipe Massa. Quem pode até não ter conseguido o resultado que gostaria mas pode deixar Monza de cabeça erguida atende pelos nomes de Jenson Button e Mark Webber. O primeiro fez mais uma corrida brilhante. Não custa recordar que contava com resistência aerodinâmica bem maior que a dos rivais para poder aproveitar as vantagens do F-Duct, o que o obrigava a recuperar nas curvas o terreno perdido nas retas. Largou de forma perfeita, não se deixou intimidar pela manobra de Alonso e, enquanto dependeu apenas da pilotagem, deu um banho. Especialmente ao se pensar que a corrida de Lewis Hamilton terminou antes mesmo da primeira passagem pela dupla de Lesmo, no que o próprio campeão mundial de 2008 se apressou em definir como próprio erro. Depois da estreia morna no Barein, muitos se apressaram em prever que Button seria engolido por Hamilton. Não fosse a afobação de Vettel na Bélgica e o número 1 estaria muito próximo de seguir no mesmo carro em 2011. Webber foi agressivo mesmo sabendo que não poderia errar. Flertou com o limite, mas soube respeitá-lo. Teve paciência para superar Kubica e Hulkenberg, que insistia em cortar chicanes à sua frente. Achou o sexto lugar magro diante da ausência de Hamilton, mas não custa lembrar que o fim da temporada tem tudo para favorecer as Red Bulls. De Felipe Massa, fica a boa impressão dos primeiros metros agressivos, mas de novo a sensação de que, com pneus mais duros, ele ainda não consegue ser tão eficiente quanto Alonso. Uma corrida nota 6,5, para resumir.

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