Desta vez não tem Max Mosley

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Que a primeira etapa do Mundial de Fórmula 1 não agradou por vários aspectos, está mais do que claro. Seja pelas polêmicas extra-pista que acabaram no tribunal; pelo grid minúsculo e até mesmo pelo motivo menos relevante, o domínio das Mercedes, que suscitou ameaças ridículas da Red Bull, tentando forçar a barra para conseguir equiparação com as Flechas de Prata no tapetão. Pois me parece algo cristalino que a categoria máxima do automobilismo mundial começou 2015 com o pé esquerdo, e não é falar em motores com 1.000cv, pneus mais largos ou novas revoluções no regulamento que deixará o ambiente mais leve, especialmente agora que os motores fazem mais barulho e as máquinas estão mais velozes.

Fico pensando que os acionistas do circo não devem ter noites tranquilas, ao imaginar que a galinha dos ovos de ouro já não é a de antes. Quem poderia imaginar que a nação economicamente mais estável e forte da Europa, pátria de 11 títulos mundiais divididos nos sete de Schumacher e quatro de Vettel fosse obrigada a abdicar de seu GP? E Bernie Ecclestone pode até falar o contrário mas, correr no Azerbaijão nunca será a mesma coisa do que acelerar em Hockenheim ou Nurburgring. E mesmo países que eram vistos como as novas fronteiras (Índia, Coreia do Sul) jogaram a toalha rapidinho.

Isso me faz lembrar, com grande alívio, que não temos mais no comando da FIA um certo Max Mosley, aliado de primeira hora do tio Bernie. Quando a F-1 fazia água no começo da década de 1990, ele tanto fez que provocou a morte do Grupo C, o então Mundial de Protótipos, e, se pudesse, faria o mesmo com o rali, para evitar a concorrência. Naquele período, Le Mans chegou a ter a sobrevivência em risco, com grids pífios e máquinas remendadas, justamente quando Toyota e Peugeot mais investiam.

        Ginetta/divulgação

Pois agora Jean Todt dificilmente se renderá a pressões semelhantes. Ao contrário, ele vem estimulando a criação de categorias (Fórmula E, por exemplo) e se mostra entusiasta com o sucesso do automobilismo como um todo. Bom exemplo foi a chancela oficial para a volta da F-2 e o suporte não só ao Mundial de Endurance, como às séries regionais. Graças a essa política, foi criada ano passado a categoria LMP3, da qual o primeiro exemplar, o Ginetta (foto), foi à pista hoje, pela primeira vez. Uma forma de aproximar pilotos em começo de carreira ou gentlemens de competições internacionais de endurance. Assim, a turma do circo vai ter que rebolar…

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